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Projeto social apoiado por Oscar Schmidt vence torneio nacional

Equipe Porãbask, de Ponta Porã (MS), conquista título sub-18 dos Jogos Escolares Brasileiros em Brasília, dedicando a vitória ao ídolo falecido.

18/04/2026 às 15:32
Por: Redação

A equipe de basquete Porãbask, representante de Mato Grosso do Sul, viveu uma noite de intensas emoções na última sexta-feira (17) em Brasília. Dois minutos antes de iniciar a final masculina sub-18 dos Jogos Escolares Brasileiros (Jebs), os atletas de Ponta Porã (MS) foram informados sobre o falecimento de Oscar Schmidt. Para o time e seu treinador, Hugo Costa, de 59 anos, o “Mão Santa” era mais do que uma figura esportiva; ele foi o pilar que tornou possível a existência e o sucesso do projeto social de basquete.

 

A vitória histórica, alcançada com um placar de 74 a 63 sobre a equipe de São Paulo, marcou a primeira vez que o Porãbask subiu ao ponto mais alto do pódio. Este triunfo inédito veio acompanhado da tristeza pela perda do grande incentivador, misturando sentimentos de luto e celebração na quadra.

 

O Legado de Oscar no Projeto

Oscar Schmidt foi o responsável por transformar o projeto social, que operava em condições precárias, em uma iniciativa estruturada e reconhecida. Há 19 anos, o ex-jogador ajudou a viabilizar a construção de um ginásio próprio, que, inclusive, leva seu nome, substituindo a quadra improvisada que existia anteriormente.

 

Em 2007, Oscar visitou a cidade, ministrou palestras e se aproximou da iniciativa. O técnico Hugo Costa, que admirava o Mão Santa, estabeleceu uma amizade e recebeu incentivo contínuo para aprimorar a estrutura do local. Oscar utilizava suas palestras para angariar fundos para o projeto, um esforço que culminou na aquisição do terreno e na edificação do ginásio.

 

O treinador Hugo Costa expressou seu pesar pela coincidência da vitória no dia da morte de seu mentor. Ele destacou a importância da conquista: “Nós disputamos mais de 20 jogos escolares. Sempre chegamos perto. Foi a primeira vez que fomos campeões. Que seja uma homenagem a ele”.

 

Da Periferia à Referência Esportiva

O projeto social, inicialmente nomeado “Meninos do Terrão”, foi fundado por Hugo Costa em 2004. Sua origem estava em uma quadra rudimentar no Jardim Irene, uma área periférica de Ponta Porã. A visão de Oscar Schmidt, segundo o treinador, foi crucial para mudar essa percepção.

 

“Muita gente pensa que basquete não seria para pobre. Nem para periferia. O Oscar ensinou para a gente que é possível fazer basquete em qualquer lugar”.


 

Mais do que formar atletas, o objetivo principal da iniciativa sempre foi o desenvolvimento de cidadãos. Hugo Costa relatou que diversos ex-participantes do projeto hoje são profissionais bem-sucedidos em áreas como educação física e medicina, mantendo contato com ele até os dias atuais. A presença do clube transformou a comunidade, tornando-a um ponto de referência esportiva.

 

O técnico enfatizou o papel educacional do esporte: “Acho que o papel do profissional de educação física é este: educar a criança por meio do esporte para que seja responsável e disciplinada. O esporte pode ensinar isso”, afirmou.

 

Emoção no Pódio e Planos Futuros

Ao subir no pódio, Hugo Costa rememorou as horas de treino, o afastamento da família e a responsabilidade de seu papel como educador. Ele disse aos jovens: “Eu disse aos meninos que eles nunca mais vão esquecer esse momento. Vão passar aos filhos deles”.

 

Entre os jogadores, Rafael Cardozo, um estudante de 17 anos no terceiro ano do ensino médio, dedicou a vitória à sua mãe, que o cria junto ao irmão mais novo. Imediatamente após o apito final, ele conseguiu contatá-la para compartilhar a alegria. Ele pretende cursar gestão hospitalar, mantendo o basquete como uma paixão. “Quero chegar lá no topo. E é preciso trabalhar pra chegar lá”, declarou. A notícia da morte de Oscar o impactou profundamente: “Sabemos como ele era importante para o Brasil e para o nosso projeto”.

 

Samuel Menezes, também de 17 anos e pivô da equipe, foi o cestinha da partida com 30 pontos. No terceiro ano do ensino médio, ele almeja seguir carreira em educação física. “Quero ficar no esporte”, afirmou. No pódio, Samuel lembrou-se dos treinos diários e do empenho coletivo. Ele abraçou cada colega com a medalha no peito e ligou para seus pais, uma dona de casa e um ourives.

 

O jovem revelou que costuma assistir a vídeos de jogos antigos de Oscar na internet e que a notícia de seu falecimento também o tocou. Com um sorriso, Samuel Menezes concluiu: “Só temos a agradecer a ele. Hoje eu fui o Mão Santa do meu time”. Após a vitória, o silêncio inicial deu lugar a sorrisos e celebrações na quadra, em uma homenagem póstuma ao grande ídolo.

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