A Agência Nacional de Vigilância Sanitária comunicou que firmou uma carta de intenção conjunta com o Conselho Federal de Medicina, o Conselho Federal de Odontologia e o Conselho Federal de Farmácia, com o objetivo de incentivar o uso responsável e seguro dos medicamentos agonistas do receptor GLP-1, conhecidos como canetas emagrecedoras.
Conforme informado no comunicado oficial, a iniciativa busca evitar riscos sanitários provocados por produtos e procedimentos irregulares. O compromisso envolve a troca de informações entre as instituições, alinhamento técnico e desenvolvimento de ações educativas, para proteger a saúde dos brasileiros.
A carta ressalta a preocupação com o aumento do uso desses medicamentos, cuja indicação original é o tratamento de doenças crônicas, como diabetes e obesidade, mas que têm ganhado popularidade em diferentes contextos clínicos.
O documento alerta que a crescente oferta e procura por canetas emagrecedoras tem sido acompanhada por irregularidades em etapas como importação, manipulação, prescrição e dispensação, o que pode expor pacientes a riscos evitáveis.
No planejamento das ações estão previstas iniciativas para incentivar a prescrição responsável, fortalecer os sistemas de notificação de eventos adversos e promover campanhas educativas destinadas tanto aos profissionais da saúde quanto à população em geral.
No contexto do combate às irregularidades ligadas à importação e manipulação desses medicamentos, a Anvisa anunciou recentemente novas medidas de fiscalização para os produtos conhecidos como canetas emagrecedoras, especialmente aquelas manipuladas sem controle regulatório.
Segundo a Agência, ainda nesta semana serão publicadas portarias para instituir dois grupos de trabalho dedicados ao tema. Um deles terá função consultiva, atuando na governança e no acompanhamento das medidas estabelecidas no plano, enquanto o outro reunirá representantes dos três conselhos profissionais para promover discussões técnicas especializadas sobre os medicamentos.
Foi determinada pela Anvisa a apreensão dos medicamentos Gluconex e Tirzedral, fabricados por empresa não identificada. A decisão também proíbe a comercialização, distribuição, importação e utilização desses produtos em todo o território nacional.
"Amplamente divulgados na internet e vendidos como medicamentos injetáveis de GLP-1, os produtos são conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, mas não têm registro, notificação ou cadastro na Anvisa", destacou a Agência.
De acordo com o órgão regulador, por se tratarem de itens irregulares e de origem desconhecida, não existe nenhuma garantia quanto ao conteúdo ou à qualidade dos mesmos, motivo pelo qual não devem ser utilizados em hipótese alguma.
Na mesma semana, a Polícia Civil do Rio de Janeiro interceptou um ônibus que vinha do Paraguai carregando canetas emagrecedoras e anabolizantes, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. O veículo estava sob monitoramento por suspeita de transportar mercadorias ilegais.
Durante a abordagem, todos os 42 passageiros presentes foram encaminhados para a Cidade da Polícia. Um casal que havia embarcado em Foz do Iguaçu, no Paraná, foi detido em flagrante com uma grande quantidade de produtos de procedência paraguaia, incluindo anabolizantes e mil frascos de canetas emagrecedoras contendo a substância tirzepatida.
Em fevereiro, a Anvisa divulgou um alerta farmacovigilante sobre os riscos associados ao uso inadequado de canetas emagrecedoras. Entre os medicamentos citados estão dulaglutida, liraglutida, semaglutida e tirzepatida.
Embora o risco de efeitos adversos esteja informado nas bulas dos medicamentos aprovados no país, o órgão relatou aumento nas notificações de casos tanto no Brasil quanto em outros países, o que reforça a necessidade de reforço nas orientações de segurança.
"Conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, esses medicamentos devem ser utilizados exclusivamente conforme as indicações aprovadas em bula e sob prescrição e acompanhamento de profissional habilitado."
A Agência salientou que o monitoramento médico é fundamental devido ao risco de eventos adversos sérios, entre eles a pancreatite aguda, que pode apresentar quadros necrotizantes e até fatais.