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Brasil e Alemanha firmam parceria para pesquisa em minerais estratégicos

Acordo amplia cooperação em pesquisa, inovação e processamento de minerais críticos

21/04/2026 às 13:44
Por: Redação

Durante um encontro oficial realizado em Hannover, na Alemanha, o Brasil e o país europeu consolidaram uma declaração conjunta com o objetivo de fortalecer a cooperação científica e tecnológica relacionada aos minerais críticos e estratégicos. Esses insumos são considerados essenciais tanto para o avanço da transição energética quanto para o desenvolvimento de novas tecnologias emergentes em escala global.

 

O acordo foi firmado na presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que participou de reunião com Friedrich Merz, chanceler federal alemão. O documento estabelece a ampliação de iniciativas conjuntas entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) brasileiro e o Ministério Federal da Pesquisa, Tecnologia e Espaço da Alemanha. Essas ações abrangem toda a cadeia produtiva de minerais considerados críticos para setores como defesa, fabricação de baterias, painéis solares, turbinas e demais componentes essenciais à transição energética. Esses minerais possuem oferta restrita globalmente e apresentam risco de escassez devido à dependência de poucos fornecedores internacionais.

 

O Brasil, por destacar-se entre os países que detêm as maiores reservas de minerais críticos e terras raras em todo o planeta, foi apontado pelo presidente Lula como peça fundamental nos debates internacionais acerca do tema. Em sua declaração aos jornalistas após o encontro bilateral, o presidente ressaltou que a estratégia brasileira prioriza não apenas a exportação da matéria-prima, como também a atração de cadeias de processamento para o território nacional. Lula defendeu que o Brasil não deve limitar-se à condição de exportador de commodities, conforme afirmou:

 

"Nossas reservas também nos tornam atores incontornáveis no debate sobre minerais críticos. Queremos atrair cadeias de processamento para o território brasileiro, sem fazer exportações excludentes. A colaboração em setores intensivos em tecnologia é uma prioridade para um país que não quer se limitar a ser um mero exportador de commodities".


 

No âmbito do acordo, o compromisso entre os dois governos prevê a ampliação de pesquisas, desenvolvimento e inovação nas etapas de exploração, extração e processamento de minerais como terras raras, além de outros metais e minerais classificados como críticos. O entendimento destaca ainda a importância de agregar valor ao longo das cadeias produtivas, impulsionando o desenvolvimento industrial sustentável, a autonomia tecnológica e o fortalecimento das capacidades industriais internas dos dois países.

 

Entre os compromissos assumidos estão o incentivo à inovação, sobretudo voltado para pequenas e médias empresas em ambos os países; o início de projetos conjuntos de pesquisa, desenvolvimento e inovação para aprimorar a gestão responsável de minerais críticos; além do intercâmbio de cientistas e profissionais técnicos de pós-graduação. O acordo antecipa ainda a elaboração, durante o ano de 2026, de um novo programa bilateral destinado a financiar diretamente instituições e empresas nacionais do Brasil e da Alemanha.

 

Parcerias ampliadas em diversas áreas

 

Além da cooperação no setor de minerais estratégicos, a viagem oficial do presidente Lula à Alemanha resultou na assinatura de outros 14 atos conjuntos entre os dois países. Dentre esses acordos, destaca-se uma iniciativa conjunta para reforçar o combate a crimes ambientais, abrangendo áreas como desmatamento, tráfico de fauna e flora, pesca ilegal e mineração irregular. Também foi celebrado um acordo sobre inteligência artificial, voltado ao desenvolvimento de soluções para governo digital e aplicações industriais.

 

Outra medida formalizada foi uma carta de intenções, na qual o governo alemão propõe incremento nos recursos destinados ao Fundo de Combate às Mudanças Climáticas. Esse fundo é coordenado pelo governo brasileiro e operacionalizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, tendo como foco o financiamento de projetos, estudos e iniciativas que visam a redução das emissões de gases do efeito estufa e a adaptação do Brasil aos impactos das mudanças climáticas. O banco de desenvolvimento da Alemanha, KfW, está previsto para destinar cerca de 500 milhões de euros ao fundo.

 

Foram igualmente assinados documentos de cooperação nos setores de defesa, pesquisa oceânica, apoio a micro e pequenas empresas, desenvolvimento da pesquisa aeroespacial, tecnologias quânticas e economia circular.

 

Em sua segunda visita oficial à Alemanha neste mandato, Lula foi recebido com honras militares em Hannover para a reunião com Merz. A relação bilateral entre Brasil e Alemanha é reconhecida como uma parceria estratégica, o que representa o mais elevado patamar diplomático entre os dois países.

 

Durante a declaração à imprensa, o chanceler alemão ressaltou a importância do relacionamento em meio ao cenário internacional em transformação, afirmando:

 

"Essa proximidade é mais importante do que nunca nesses tempos de tantas mudanças na ordem mundial. Queremos fortalecer o benefício comum e expandir nossa rede. Queremos ser parceiros fortes e com ideias afins".


 

A agenda do presidente brasileiro na Alemanha incluiu ainda um discurso na abertura da Hannover Messe, considerada a maior feira industrial do mundo, que neste ano tem como destaque o Brasil. Lula também participou de encontro com empresários dos dois países, ocasião em que enfatizou oportunidades no segmento de biocombustíveis.

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