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Câncer na região de cabeça e pescoço ocupa a terceira posição em incidência no país

Doença afeta principalmente homens e, segundo o INCA, 80% dos tumores são descobertos em estágios avançados.

13/04/2026 às 10:31
Por: Redação

Após a divulgação do diagnóstico de neoplasia cervical recebido pelo narrador esportivo Luis Roberto, de 64 anos, houve um crescimento no interesse e nas dúvidas em torno do câncer de cabeça e pescoço, o que também impulsionou a discussão pública sobre o tema.

 

O termo neoplasia designa, na medicina, a proliferação desordenada de células que não passam pelo processo natural de morte programada. Quando esse crescimento anormal ocorre na região cervical, pode envolver a laringe, a faringe ou a tireoide, formando tumores que podem ter natureza benigna ou maligna.

 

Dados do Ministério da Saúde apontam que, somando todas as variações, o câncer de cabeça e pescoço representa a terceira neoplasia mais comum no Brasil, afetando principalmente indivíduos do sexo masculino.

 

Segundo informações do Instituto Nacional de Câncer (INCA), aproximadamente 80% dos casos desse tipo de câncer já são identificados quando se encontram em fases avançadas, o que dificulta a obtenção de prognósticos favoráveis. Os locais mais frequentemente atingidos são a hipofaringe, a orofaringe, a cavidade oral e a laringe.

 

O vice-líder do Centro de Referência em Tumores de Cabeça e Pescoço do A.C. Camargo Cancer Center, Thiago Bueno, esclarece que uma verruga, por exemplo, é resultado do crescimento exagerado de células, mas, por não se espalhar para outros órgãos, trata-se de um tumor benigno.

 

"O crescimento anormal de células que invade os tecidos locais e outros pontos, é maligno. A maioria dos cânceres no pescoço não se originam diretamente nessa região. Geralmente, nascem em algum outro lugar que chamamos grosseiramente de cabeça e pescoço e as células vão para os linfonodos do pescoço, popularmente chamadas de ínguas", explicou.


 

Principais fatores de risco e manifestações clínicas

 

De acordo com o especialista, os elementos que mais contribuem para o desenvolvimento desse tipo de câncer incluem o uso frequente de bebidas alcoólicas, o hábito de fumar, a infecção pelo vírus HPV e também a existência de antecedentes familiares de neoplasias.

 

Entre os sinais e sintomas que podem indicar a presença desses tumores estão: sensação de corpo estranho na área, dor, sangramento e dificuldade para engolir. Outros sintomas relatados são cansaço persistente, perda de peso sem causa aparente, febre de longa duração, episódios de suor noturno e desconforto constante.

 

Thiago Bueno destacou ainda que não é habitual a realização de exames preventivos ou de rotina voltados para a detecção desse grupo de tumores, como acontece com os exames de rastreamento para câncer de mama e de próstata.

 

“Nós não temos um exame de detecção precoce, não tem algo que façamos uma vez por ano. Então, nós profissionais, tentamos conscientizar a população sobre potenciais sinais e sintomas que levem a procurar atendimento médico para possibilitar o diagnóstico”.


 

O médico reforçou que, ao identificar qualquer nódulo na área do pescoço, assim como lesões, aftas ou feridas na boca ou garganta que não sumam ou cicatrizem espontaneamente em até 15 dias, sangramento pela boca, rouquidão que persista, ou dor ao engolir, é fundamental buscar avaliação médica especializada.

 

Processo diagnóstico e abordagens terapêuticas

 

A investigação para confirmação da doença envolve uma série de exames de imagem, entre eles tomografias e ressonâncias magnéticas, seguidos por biópsia do tecido suspeito. Uma vez estabelecido o diagnóstico, o tratamento é definido de maneira multidisciplinar e pode englobar cirurgia, radioterapia, imunoterapia e quimioterapia, a depender do estágio e da complexidade do quadro.

 

O especialista afirmou que, na maioria das situações, as chances de cura são consideradas positivas. Para cada paciente, é elaborada uma estratégia personalizada de cuidados, priorizando a maior probabilidade de êxito e a redução dos efeitos colaterais. Atualmente, os tratamentos disponíveis apresentam alto grau de modernização, o que torna as sequelas pouco frequentes. Quando ocorrem, são geralmente de baixa intensidade e não costumam comprometer a qualidade de vida do paciente.

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