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Cientistas criam painel inédito para acelerar transição energética global

Novo órgão reunirá especialistas de diversas áreas para subsidiar políticas públicas e ações de descarbonização em nível global.

25/04/2026 às 21:32
Por: Redação

Um grupo diversificado de cientistas, com expertise em áreas como clima, economia e tecnologia, anunciou neste sábado (25) a fundação do Painel Científico para a Transição Energética Global (SPGET). A iniciativa foi revelada durante a Primeira Conferência Internacional sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, que acontece em Santa Marta, na Colômbia.

 

O principal objetivo do SPGET é oferecer consultoria a governos em todo o mundo para impulsionar a transição energética. O painel se dedicará a produzir recomendações baseadas em evidências sólidas, visando orientar políticas públicas eficazes e promover ações concretas rumo à descarbonização.

 

O evento de lançamento contou com a participação de renomados pesquisadores internacionais. Entre eles, destacam-se os brasileiros Carlos Nobre, uma autoridade em estudos amazônicos, e Gilberto Jannuzzi, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), além do sueco Johan Rockström, diretor do Instituto Potsdam para Pesquisa de Impacto Climático.

 

“A transição energética é complexa e envolve economia, meio ambiente e justiça social. A ciência pode atuar como ponte entre países que avançam mais rápido e aqueles que ainda estão hesitantes. O painel é uma forma de integrar todos gradualmente,”

 

declarou Rockström, ressaltando a abrangência dos desafios envolvidos.

 

A ministra do Meio Ambiente da Colômbia, Irene Vélez Torres, também marcou presença e elogiou a criação do painel, enfatizando que ele preenche uma lacuna histórica.

 

“Este painel não só repara uma dívida ao criar, pela primeira vez, um organismo dedicado à superação dos combustíveis fósseis, como também discute outros desafios sociais e econômicos dessa transformação,”

 

afirmou Irene. Ela acrescentou que o SPGET “é o primeiro concebido para reunir, ao longo dos próximos cinco anos, as evidências científicas que permitirão que cidades, regiões, países e coalizões deem esse grande salto.”

 

Além de sua missão de consultoria, o painel visa fortalecer a colaboração entre o meio acadêmico e os governos, contribuindo para o desenvolvimento de estratégias coordenadas de redução das emissões de gases de efeito estufa. Suas atividades incluirão a formulação de recomendações técnicas, o acompanhamento de políticas existentes e a integração com processos internacionais importantes, como a COP30, que será presidida pelo Brasil.

 

Claudio Angelo, coordenador do Observatório do Clima, sublinhou a importância de restaurar a centralidade da ciência na condução das decisões políticas relacionadas ao clima e ao meio ambiente.

 

“Isso parece óbvio, mas vem sendo um pouco esquecido no âmbito da Convenção do Clima. Antigamente, todos os grandes encontros para debater mudança climática, como a Eco-92, começaram sob a égide de algum relatório do IPCC, o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática,”

 

explicou Claudio. Ele criticou a desvalorização da ciência nos últimos anos: “Isso deixou de acontecer de uns anos para cá. A gente chegou ao cúmulo de em 2018, na COP24, um grande relatório do IPCC, que tinha sido inclusive encomendado pela Convenção do Clima, ter sido relegado a uma nota de rodapé na decisão da COP.”

 

Debates e Metas da Conferência em Santa Marta

 

A Conferência de Santa Marta reúne representantes de 57 países, incluindo o Brasil, e aproximadamente 4.200 organizações. Este grupo abrange governos, o setor privado, povos indígenas, a academia e a sociedade civil, todos engajados em avançar na redução da dependência de combustíveis fósseis.

 

O evento está estruturado em três eixos principais: a transformação econômica, a reconfiguração da oferta e demanda de energia, e a cooperação internacional. Entre os dias 24 e 27 de abril, as propostas serão consolidadas para, posteriormente, orientar a Cúpula de Líderes, agendada para os dias 28 e 29 de abril. Os resultados esperados incluem a criação de mecanismos de cooperação entre as nações e a elaboração de um relatório com diretrizes para acelerar a transição energética.

 

Van Veldhoven, ministra do Clima e do Crescimento Verde dos Países Baixos, que colidera a iniciativa ao lado da Colômbia, destacou o potencial do encontro. “Com mais de 50% do PIB global representado nesta Conferência, este grupo tem a capacidade coletiva de transformar essas cinco palavras em ações concretas”, afirmou.

 

“Com a crescente volatilidade no mercado de combustíveis fósseis, não há melhor momento para iniciar a transição para longe dos combustíveis fósseis, reduzindo o impacto climático, reforçando a independência energética e impulsionando o crescimento econômico verde,”

 

acrescentou a ministra.

 

Kumi Naidoo, ativista socioambiental sul-africano e líder da Iniciativa do Tratado de Não Proliferação de Combustíveis Fósseis (Fossil Fuel Treaty), expressou a esperança de que a conferência consiga estabelecer medidas concretas que as Conferências das Partes (COP) anuais da ONU sobre mudanças climáticas não têm conseguido implementar.

 

“Queremos receber o que pedimos para a COP desde pelo menos 2009: um acordo fantástico, que seja justo, ambicioso e vinculativo. Na maioria das vezes, recebemos acordos superficiais, cheios de brechas,”

 

disse Naidoo. Ele complementou, enfatizando que “independentemente da qualidade do trabalho científico, precisamos garantir que o processo político esteja em andamento. Outros mecanismos e caminhos juridicamente vinculativos, como o tratado sobre combustíveis fósseis, são cruciais.”

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