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Cuba exige fim de embargo energético em reunião com delegação dos EUA

Diplomatas cubanos defendem fim do bloqueio e reafirmam abertura ao diálogo com os Estados Unidos

21/04/2026 às 13:39
Por: Redação

Durante uma reunião recente realizada em Havana, capital de Cuba, autoridades cubanas e representantes do governo dos Estados Unidos discutiram questões prioritárias para ambos os países, conforme confirmado por Alejandro García, diretor-geral adjunto do Ministério das Relações Exteriores de Cuba para os Estados Unidos.

 

O encontro, ocorrido na segunda-feira (20), contou com a participação de secretários-adjuntos do Departamento de Estado dos EUA e, pelo lado cubano, de representantes no nível de vice-ministro das Relações Exteriores. Segundo García, os diplomatas de Cuba focaram a discussão principalmente na exigência de que a administração norte-americana suspenda o embargo energético imposto à ilha.

 

Durante a sessão de trabalho, García del Toro relatou que o diálogo ocorreu de maneira respeitosa e profissional. Ele esclareceu que, ao contrário de informações veiculadas por meios de comunicação dos Estados Unidos, não foram fixados prazos nem emitidas declarações de caráter coercitivo por nenhuma das partes envolvidas.

 

O representante cubano destacou a necessidade de manter discrição nos encontros bilaterais, justificando que os temas abordados apresentam grande sensibilidade para ambos os países.

 

O principal objetivo cubano nessa reunião foi a solicitação pelo fim do bloqueio energético, que, segundo argumentação apresentada, causa prejuízos diretos à população da ilha e representa uma medida de pressão injusta.

 

“Eliminar o bloqueio energético contra o país era uma prioridade máxima para nossa delegação. Esse ato de coerção econômica é uma punição injustificada para toda a população cubana. É também uma forma de chantagem em escala global contra Estados soberanos, que têm todo o direito de exportar combustível para Cuba, de acordo com os princípios do livre comércio”, enfatizou.

 

Histórico das sanções americanas

 

Em 29 de janeiro, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reforçou o já existente bloqueio contra Cuba ao emitir uma ordem executiva. Essa ordem determinou estado de emergência nacional, classificando Cuba como uma ameaça incomum e extraordinária à segurança dos Estados Unidos. Na prática, o ato abriu espaço para que o governo americano sancionasse países que tentassem fornecer petróleo à ilha, seja direta ou indiretamente.

 

Como consequência dessas restrições, a população cubana enfrenta dificuldades no acesso a combustíveis, o que impacta diretamente o cotidiano e a economia local.

 

Apesar do contexto de sanções, o governo de Cuba reafirmou sua disposição para manter o diálogo com autoridades norte-americanas. A posição oficial do país é de que as conversas devem ocorrer sempre sob o princípio do respeito mútuo e sem interferências externas.

 

Abertura para acordos em diferentes áreas

 

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, comentou em entrevista recente ao veículo Newsweek, dos Estados Unidos, que há possibilidade de entendimento entre os dois países em setores como ciência, migração, combate ao narcotráfico, meio ambiente, comércio, educação, cultura e esportes. Ele ressaltou que o diálogo deve acontecer "em termos de igualdade" e com respeito integral à soberania, autodeterminação, sistema político cubano e ao direito internacional.

 

Posteriormente, em participação no programa Meet the Press da NBC News, Díaz-Canel reforçou:

 

“Podemos negociar, mas à mesa, sem pressão ou tentativas de intervenção dos EUA.”

 

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