Em um cenário internacional de menor aversão ao risco, a cotação do dólar comercial encerrou o pregão vendida a quatro reais e noventa e nove centavos, registrando uma variação negativa de zero vírgula um por cento em relação ao fechamento anterior. Por outro lado, o principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, apresentou queda pela terceira sessão consecutiva e fechou o dia aos cento e noventa mil setecentos e quarenta e cinco pontos, configuração que representa o menor patamar desde quatorze de abril.
A semana foi marcada pela continuidade das negociações entre Estados Unidos e Irã, que influenciaram diretamente o ambiente financeiro global. A expectativa de retomada do diálogo entre esses países colaborou para um ambiente internacional mais favorável, o que reduziu o interesse mundial por ativos considerados seguros, como o dólar, e beneficiou moedas de mercados emergentes, a exemplo do real brasileiro.
Mesmo com a queda observada nesta sexta-feira, a moeda norte-americana acumulou valorização de zero vírgula trinta e dois por cento na semana. No entanto, desde o início do ano, o dólar registra desvalorização de oito vírgula noventa e dois por cento frente ao real, o que levou a moeda a atingir o nível mais baixo em mais de dois anos em determinados momentos recentes.
O mercado de câmbio passou por ajustes técnicos nos últimos dias. Investidores optaram por realizar lucros após a sequência de desvalorizações expressivas do dólar. O Banco Central chegou a anunciar uma atuação no mercado, por meio da oferta simultânea de dólares à vista e contratos futuros, operação conhecida como casadão. Entretanto, a autoridade monetária não aceitou as propostas apresentadas para a realização dessa operação, o que sinalizou que, naquele momento, não considerou necessária a intervenção efetiva no câmbio.
O Ibovespa esteve abaixo dos cento e noventa mil pontos durante parte do pregão, refletindo o movimento de realização de lucros, isto é, a venda de ações por investidores para consolidar ganhos após altas recentes. Das últimas sete sessões da bolsa, houve elevação em apenas uma. No acumulado da semana, o Ibovespa retrocedeu dois vírgula cinquenta e cinco por cento. Apesar disso, ainda registra crescimento de um vírgula setenta e cinco por cento no mês e um avanço significativo de dezoito vírgula trinta e oito por cento desde o início do ano.
Fatores internos e externos exerceram pressão sobre o índice, especialmente o desempenho de empresas ligadas ao setor de petróleo e o ambiente externo heterogêneo. As bolsas norte-americanas apresentaram comportamentos distintos: enquanto os índices de tecnologia subiram, os setores tradicionais registraram retração nesta sexta-feira.
Os contratos futuros do petróleo exibiram elevada volatilidade, resultante tanto das tensões geopolíticas quanto de sinais de possível alívio no conflito entre Estados Unidos e Irã. O barril do tipo Brent, referência internacional e parâmetro utilizado pela Petrobras, encerrou o pregão de junho cotado a noventa e nove dólares e treze centavos, com queda de zero vírgula vinte e dois por cento. Já o barril WTI, referência do mercado dos Estados Unidos, fechou a noventa e quatro dólares e quarenta centavos, apresentando retração de um vírgula cinco por cento no dia.
Apesar das oscilações no pregão desta sexta-feira, o Brent acumulou valorização de dezesseis por cento durante a semana, enquanto o WTI registrou alta próxima de treze por cento no mesmo período. Esse desempenho reflete preocupações persistentes com a oferta global da commodity, especialmente devido ao conflito na região do Oriente Médio. A situação no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais para transporte de petróleo, permanece instável, com diminuição do tráfego e episódios de apreensão de embarcações.
Dados e movimentações financeiras foram acompanhados por informações da agência Reuters.