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Filmes com direção feminina lideram indicações ao Prêmio Platino Xcaret

Direção e protagonismo feminino dominam indicações ao principal prêmio do cinema ibero-americano em 2026

01/05/2026 às 23:46
Por: Redação

No principal prêmio do cinema ibero-americano, obras dirigidas e protagonizadas por mulheres se destacam e formam a maioria entre os indicados. O Prêmio Platino Xcaret contempla nesta edição filmes de 14 países, incluindo sete produções brasileiras, com 30 longas-metragens e 19 séries na competição.

 

Entre os finalistas à categoria de melhor filme, a seleção inclui títulos que demonstram a crescente presença feminina na direção. Estão na lista: Ainda é noite em Caracas, das venezuelanas Marité Ugás e Mariana Rondon; Belén, da argentina Dolores Fonzi; Os Domingos, da espanhola Alauda Ruiz de Azúa; O Agente Secreto, do brasileiro Kleber Mendonça Filho; e Sirât, do espanhol Oliver Laxe.

 

Mulheres à frente das indicações

Especialistas avaliam que o destaque das mulheres reflete mudanças recentes no setor audiovisual ibero-americano, embora apontem que desigualdades persistem nos bastidores, especialmente em áreas técnicas como montagem, fotografia e trilha sonora, onde a participação feminina ainda é reduzida.

 

Ilda Santiago, produtora e diretora do Festival do Rio, observa que, embora o avanço da presença feminina seja significativo, ainda não é consolidado em todos os departamentos. Ela ressalta que as mulheres indicadas à principal categoria do Platino já possuem experiência no mercado e não estão estreando:

 

“Quando olhamos para a categoria principal do Platino, temos três mulheres, todas com experiência em cinema, que não estão lançando a primeira obra e isso é muito bem-vindo".


 

Na edição de 2026, as diretoras Fonzi e Azúa concorrem ao lado de Mendonça e Laxe, cujos filmes também estiveram entre os indicados ao Oscar de melhor filme estrangeiro em março. Porém, em outras categorias técnicas, como montagem, fotografia e efeitos visuais, a presença de mulheres permanece inferior à masculina.

 

Ilda Santiago também ressalta que a participação feminina na direção amplia as abordagens temáticas e proporciona equipes de produção mais equilibradas e diversificadas. Ela considera que mulheres em funções de liderança enriquecem o ambiente de gravação, tornando-o mais harmônico.

 

Marina Tedesco, professora de cinema da Universidade Federal Fluminense (UFF), analisa que as produções assinadas por mulheres candidatas ao Platino apresentam pontos de vista que têm ressonância crescente junto ao público e aos júris de festivais, mesmo que o espaço conquistado ainda não represente uma consolidação total desse protagonismo na indústria.

 

Segundo Tedesco, movimentos sociais recentes, incluindo pautas feministas, antirracistas e ligadas à diversidade, impactaram as escolhas de temas nos roteiros e viabilizaram a realização de filmes que antes encontravam mais barreiras para chegar ao público ou aos festivais.

 

“Hoje há maior interesse por histórias que representam experiências que não foram vistas ou foram poucas vezes vistas nas telas”.


 

Ela avalia que o interesse ampliado por essas narrativas resulta em benefício comercial para as obras, o que considera positivo tanto para o cinema quanto para a sociedade.

 

O crítico e professor de cinema da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), Juliano Gomes, defende que investimentos consistentes na cadeia audiovisual são fundamentais para consolidar uma transformação de longo prazo. Ele aponta que o florescimento do cinema feito por mulheres em todo o mundo está diretamente ligado à política de incentivo a pequenas e médias produtoras.

 

“O cinema feito por mulheres floresce, em todo o mundo, quando há incentivos às pequenas e médias produtoras”.


 

Gomes ressalta que a promoção de políticas de fomento igualitário no setor audiovisual beneficia não apenas mulheres, mas também outros grupos sociais, como negros, indígenas e LGBTQIA+.

 

Temáticas em destaque nos filmes concorrentes

Entre as obras indicadas, Belén se destaca por abordar um caso real de uma jovem presa após um aborto espontâneo, reacendendo debates sobre direitos das mulheres e desigualdades no sistema de Justiça. Dolores Fonzi interpreta a advogada Soledad Deza, responsável pela defesa da protagonista. O longa argentino recebeu 11 indicações, incluindo melhor filme, melhor atriz e melhor direção.

 

O filme espanhol Os Domingos acompanha a trajetória de Ainara, uma adolescente do País Basco que descobre sua vocação religiosa e enfrenta conflitos familiares. Esta é a terceira obra dirigida por Alauda Ruiz de Azúa, que reflete sobre as transformações da família contemporânea.

 

Outro concorrente, Ainda é noite em Caracas, traz a história de uma mulher venezuelana que, após o enterro da mãe, se vê sozinha em meio a protestos e milícias na capital do país, em 2017. O longa é classificado como suspense.

 

Completam a lista de finalistas ao Prêmio Platino Xcaret de melhor filme ibero-americano O Agente Secreto, produção brasileira que já foi premiada internacionalmente, conquistando três prêmios Platino de melhor música original, montagem e direção de arte, e o suspense espanhol Sirât, vencedor do Festival de Cannes em 2025.

 

O anúncio do vencedor do Prêmio Platino Xcaret será realizado em 9 de maio, durante cerimônia em Cancún, no México. Alguns dos filmes indicados estão disponíveis em plataformas digitais.

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