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Lula condena ameaças de Trump ao Irã, Cuba e Venezuela

Presidente brasileiro diz que EUA não têm autorização internacional para ameaças e defende respeito à soberania de outros países

16/04/2026 às 23:55
Por: Redação

Durante entrevista concedida ao periódico espanhol El País, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, reforçou críticas à política internacional dos Estados Unidos, liderada por Donald Trump, especialmente no que diz respeito ao Irã, Cuba e Venezuela. O chefe do Executivo brasileiro destacou que não cabe à Casa Branca ameaçar nações que não compartilham de seus posicionamentos.

 

Lula salientou que o presidente norte-americano não detém autoridade moral, constitucional ou internacional para adotar uma postura de intimidação em relação a outros Estados.

 

“O Trump não tem o direito de acordar de manhã e achar que pode ameaçar um país. Não tem direito. Ele não foi eleito para isso. O mundo não lhe dá direito disso. A Constituição americana não garante isso. E muito menos a carta da ONU [Nações Unidas]”, afirmou Lula.


 

Na semana anterior à entrevista, Trump ameaçou publicamente praticar um crime de genocídio contra o Irã, caso o governo iraniano não aceitasse as condições impostas pelos Estados Unidos para encerrar o conflito no Oriente Médio. Lula também abordou, durante a entrevista, as ações e ameaças de Trump a Cuba e à Venezuela, ressaltando que nenhum Estado tem prerrogativa para violar a integridade territorial ou desrespeitar a soberania de outro.

 

“Nenhum país tem direito de ferir a integridade territorial de outro país. Nenhum país tem o direito de não respeitar a soberania dos outros países”, completou.


 

Na avaliação do presidente, há uma carência de lideranças no cenário mundial dispostas a assumir a responsabilidade de reconhecer que o planeta não pertence a uma única nação. Segundo ele, as maiores potências mundiais precisam demonstrar ainda mais responsabilidade na manutenção da paz global.

 

Possibilidade de conflito global e impactos

 

Lula comentou, ainda, sobre a eventualidade de uma terceira guerra mundial, considerando as ações de Trump em sua política externa. O presidente brasileiro alertou que um novo grande conflito bélico teria impactos ainda mais devastadores que os observados durante a Segunda Guerra Mundial.

 

“Uma terceira guerra mundial será uma tragédia dez vezes mais potente do que foi a tragédia da Segunda Guerra Mundial”, disse.


 

Questionado se acredita na possibilidade de um conflito global, Lula declarou que, caso persista o entendimento de que é possível agir unilateralmente de forma agressiva, o risco permanece concreto.

 

Críticas ao bloqueio e embargo contra Cuba

 

O presidente brasileiro também reprovou o endurecimento das restrições energéticas impostas pelos Estados Unidos a Cuba, o que ocorre paralelamente ao embargo econômico vigente há quase 70 anos. Para ele, o país caribenho possui relevância para o Brasil, e o bloqueio prolongado não encontra justificativa plausível.

 

Lula questionou publicamente o motivo pelo qual, se existe preocupação com a população cubana por parte dos críticos do regime local, não há a mesma mobilização em relação ao Haiti, país que não adota o sistema comunista e enfrenta grave crise econômica e social há décadas. O Haiti permanece sob o controle de grupos armados em parte significativa da capital, Porto Príncipe.

 

O presidente acrescentou que Cuba necessita de oportunidades para superar suas dificuldades internas, salientando as limitações impostas à entrada de alimentos, combustíveis e energia no país, o que compromete a subsistência de sua população.

 

Posicionamento sobre a Venezuela e eleições

 

A respeito da Venezuela, Lula afirmou que a orientação do governo brasileiro é que as eleições previstas para julho de 2024 ocorram normalmente, com respeito ao resultado das urnas, permitindo a retomada da paz no país vizinho. O presidente enfatizou que não cabe aos Estados Unidos administrar ou interferir nos assuntos internos venezuelanos.

 

Taxação de exportações brasileiras e negociações bilaterais

 

Em relação às medidas tarifárias impostas pelos Estados Unidos entre abril e agosto de 2025, que atingiram parte das exportações brasileiras, Lula recordou diálogo mantido com Donald Trump à época. Ele ressaltou que não buscou concordância ideológica, reconhecendo a necessidade de ambos os chefes de Estado focarem nos interesses de seus respectivos países ao estabelecer relações bilaterais.

 

Lula destacou ainda que, após negociações entre os governos de Brasília e Washington em novembro de 2025, os Estados Unidos revogaram a tarifa de 40% incidente sobre diversos produtos do Brasil, como café e carne. Já em fevereiro do ano seguinte, a Suprema Corte dos EUA derrubou o tarifário ampliado implementado por Trump contra dezenas de nações, atendendo à reivindicação de empresas norte-americanas impactadas por essas políticas comerciais.

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