LogoBH Notícias

Transição energética é tratada como questão de segurança em conferência internacional

Diretora da COP30 afirma que conflitos recentes reforçam urgência da transição energética e destaca participação de mais de 60 países em conferência na Colômbia.

24/04/2026 às 19:14
Por: Redação

 

A cidade colombiana de Santa Marta sediou, nesta sexta-feira (24), o início da 1ª Conferência Internacional sobre Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, reunindo representantes de mais de 60 países interessados em reduzir progressivamente a produção, o consumo e a dependência do petróleo.

 

Durante o evento, os debates servirão de base para a elaboração do Mapa do Caminho para Longe dos Combustíveis Fósseis, documento sugerido pela presidência brasileira durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30).

 

Em entrevista exclusiva concedida antes de embarcar para a conferência, a diretora-executiva da COP30, Ana Toni, destacou a relevância do encontro e abordou a importância estratégica da transição energética, especialmente à luz dos recentes conflitos internacionais e da instabilidade nos preços do petróleo. Segundo ela, esses fatores escancaram a dependência global dos combustíveis fósseis e reforçam a urgência de discutir alternativas energéticas seguras e sustentáveis.

 

O documento com diretrizes para a transição energética e para a redução das emissões de gases de efeito estufa deverá ser concluído até novembro, servindo de orientação para países que buscam enfrentar as causas das mudanças climáticas.

 

Debates e construção do Mapa do Caminho

 

De acordo com Ana Toni, a participação da presidência da COP30 na conferência de Santa Marta tem como objetivo principal ouvir as demandas de países, representantes da sociedade civil e grupos indígenas. Toni ressaltou que o Mapa do Caminho já responde a solicitações feitas durante a COP30 e que o evento colombiano representa mais uma oportunidade para ajustar e debater coletivamente o tema.

 

A diretora-executiva demonstrou satisfação com a realização da conferência, promovida pela Colômbia e pelos Países Baixos, e reforçou a intenção de incorporar as discussões de Santa Marta às estratégias brasileiras para a transição energética.

 

Segundo ela, decisões importantes para a transição já foram tomadas durante a COP28, em Dubai, e agora a prioridade é aprofundar a discussão sobre a implementação prática dessas medidas. Toni considera fundamental ouvir sugestões da sociedade civil, dos povos indígenas e dos governos participantes para definir os próximos passos e a sequência de ações necessárias.

 

Ela ressaltou que, enquanto o consenso é essencial para a tomada de decisões, a implementação pode ser adaptada à realidade de cada país, permitindo abordagens diferenciadas, como a eletrificação em alguns contextos ou o uso de combustíveis sustentáveis em outros.

 

Interesse internacional e desafios

 

Ao comentar o envolvimento de mais de 60 países no evento, Ana Toni explicou que a maioria da população mundial vive em nações importadoras de combustíveis fósseis. Por isso, considera significativa a participação tanto de países produtores quanto consumidores, já que a diminuição da dependência global precisa do envolvimento de ambos.

 

Ela citou o caso da Etiópia, país consumidor que decidiu deixar de importar carros a combustão, como exemplo de iniciativa relevante para a transição. Toni destacou ainda que é necessário observar não só a dependência energética, mas também os impactos econômicos relacionados ao uso de combustíveis fósseis.

 

O Mapa do Caminho recebeu mais de 250 contribuições formais de países e entidades não governamentais, indicando grande interesse internacional no tema. A conferência em Santa Marta é considerada um dos fóruns importantes para amadurecer propostas concretas, já que a decisão de transitar para longe dos combustíveis fósseis já foi tomada.

 

Desafios e estrutura do documento orientador

 

A respeito do prazo para contribuições ao Mapa do Caminho, encerrado em 10 de abril, Ana Toni apontou como maior desafio a análise e priorização das informações recebidas, assim como a elaboração de recomendações adaptadas às circunstâncias de cada país.

 

Infelizmente, a guerra contra o Irã, promovida pelos Estados Unidos e Israel, mostra que caminhar para longe dos combustíveis fósseis, dessa dependência que temos, é absolutamente necessário. Não só por questões climáticas, mas por questões econômicas, energéticas e de segurança.

 

Ela afirmou que o Mapa do Caminho se tornou um espaço para debater e revisar a segurança energética, econômica e a dependência mundial de combustíveis fósseis, ressaltando que a eliminação dessa dependência não ocorrerá de forma imediata, mas que o planejamento é indispensável para evitar impactos negativos, como os que atualmente afetam o mundo.

 

Quanto à estrutura do documento, Toni informou que a proposta prevê divisão por capítulos. O primeiro abordará os riscos associados à não transição, incluindo aspectos climáticos, naturais, políticos e de segurança. O segundo capítulo analisará a transição sob a ótica de países e empresas produtoras, além da perspectiva dos consumidores e setores como o elétrico, transporte e indústria, detalhando oportunidades e estratégias para acelerar o processo.

 

O terceiro segmento tratará da dependência econômica de cada país, destacando as variadas circunstâncias nacionais e a relevância para governos subnacionais, como prefeituras, que enfrentam desafios econômicos e não apenas energéticos. Por fim, o último capítulo reunirá recomendações direcionadas ao cenário mundial, e não exclusivamente à próxima COP31.

 

Perspectivas para uma transição justa

 

Sobre a possibilidade de uma transição justa e planejada, com abordagem global e aplicação local, Ana Toni afirmou que o processo já está em andamento. Ela observou que, no cenário internacional, há uma aceleração tanto no uso de fontes renováveis, armazenamento e eficiência quanto na exploração de combustíveis fósseis, e que o objetivo agora é desacelerar o consumo destes últimos.

 

Para Toni, não há dúvidas de que a mudança precisa ocorrer de forma justa, pois, do contrário, não será viável. Ela mencionou a importância de aproveitar os próximos eventos globais, como a COP31, COP32 e o segundo Balanço Global, para avaliar os avanços e identificar pontos a serem acelerados.

 

Concluiu afirmando otimismo com relação ao avanço das discussões e ressaltando que o fundamental é manter o debate político sobre o tema para que sejam tomadas as decisões mais adequadas no processo de transição energética.

© Copyright 2025 - BH Notícias - Todos os direitos reservados