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Brasil registra menor desemprego em primeiro trimestre desde 2012

Taxa de 6,1% é a menor já registrada para o período; informalidade também caiu em 2026

30/04/2026 às 23:39
Por: Redação

No primeiro trimestre de 2026, a taxa de desemprego nacional atingiu 6,1%, marcando o menor patamar já registrado para este período desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, implementada em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 

Esse índice, divulgado pelo IBGE no Rio de Janeiro, representa um aumento em relação ao quarto trimestre de 2025, quando a taxa foi de 5,1%. No entanto, o resultado ficou abaixo dos 7% contabilizados nos três primeiros meses de 2025, demonstrando queda de 0,9 ponto percentual em um ano. Desde o trimestre encerrado em maio de 2025, a taxa nacional de desocupação não superava os 6%. No trimestre móvel finalizado em fevereiro de 2026, o percentual havia sido de 5,8%.

 

O IBGE ressalta que não recomenda comparar meses consecutivos, uma vez que os dados se sobrepõem devido à metodologia da pesquisa, que reutiliza os números dos meses imediatamente anteriores. Por este motivo, a comparação oficial é feita em relação ao quarto trimestre de 2025.

 

Situação dos trabalhadores no início do ano

No final de março de 2026, o contingente de pessoas em busca de emprego, considerado como população desocupada, chegou a 6,6 milhões. Esse número é 19,6% superior ao trimestre anterior, significando um acréscimo de 1,1 milhão de pessoas sem trabalho, mas representa uma redução de 13% frente ao mesmo período do ano anterior.

 

O total de pessoas ocupadas foi de 102 milhões no período, indicando diminuição de 1 milhão em relação ao último trimestre de 2025. Por outro lado, ao comparar com o primeiro trimestre do ano passado, houve crescimento de 1,5 milhão de ocupados.

 

Variações sazonais influenciam mercado de trabalho

O desempenho do mercado de trabalho nos primeiros três meses do ano foi fortemente influenciado por fenômenos típicos desse período, segundo explicou Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE.

 

“A redução do contingente de trabalhadores ocorreu em atividades que, tipicamente, apresentam esse comportamento; seja devido à tendência de recuo no comércio nesse período do ano; seja pela dinâmica de encerramento de contratos temporário nas atividades de educação e saúde no setor público municipal.”

 

Entre os dez agrupamentos de atividades econômicas monitorados pelo IBGE, nenhum apresentou crescimento no número de pessoas empregadas no trimestre analisado. Três setores registraram diminuições: o comércio teve retração de 1,5%, o que corresponde a 287 mil trabalhadores a menos; a administração pública apresentou queda de 2,3%, equivalente a menos 439 mil pessoas; e os serviços domésticos recuaram 2,6%, reduzindo o número de ocupados em 148 mil.

 

Informalidade e vínculos de trabalho formal

A despeito do crescimento da taxa de desocupação em relação ao trimestre anterior, o índice de informalidade foi reduzido no Brasil.

 

No trimestre encerrado em março, 37,3% da população ocupada estava em situação informal, o que equivale a 38,1 milhões de pessoas que trabalham sem acesso a direitos trabalhistas. No fim de 2025, essa taxa havia sido de 37,6%, e, no primeiro trimestre daquele ano, o índice era de 38%.

 

No setor privado, o total de empregados com carteira assinada foi de 39,2 milhões, com estabilidade em relação ao trimestre anterior e aumento de 1,3% — correspondente a 504 mil pessoas — no comparativo anual.

 

Já o número de trabalhadores sem carteira assinada nesse segmento caiu 2,1% em relação ao trimestre anterior, ou seja, houve redução de 285 mil vínculos, totalizando 13,3 milhões de pessoas. Em relação ao ano anterior, o quantitativo permaneceu estável, sem mudanças estatisticamente relevantes.

 

O contingente de profissionais que atuam de forma autônoma manteve-se estável no trimestre, ficando em 26 milhões. No comparativo com o primeiro trimestre de 2025, houve alta de 2,4%, resultando em mais 607 mil pessoas nesta condição.

 

Metodologia da pesquisa e dados do emprego formal

A Pnad Contínua do IBGE avalia o panorama do mercado de trabalho abrangendo indivíduos a partir dos 14 anos, levando em consideração todas as formas de ocupação, como emprego com carteira assinada, sem carteira, temporário e trabalho autônomo. De acordo com os critérios do instituto, só são consideradas desocupadas as pessoas que buscaram efetivamente uma vaga nos 30 dias anteriores à realização da pesquisa. O levantamento visita 211 mil domicílios em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal.

 

A divulgação da Pnad ocorre um dia após a apresentação do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), produzido pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que contabiliza apenas trabalhadores com carteira assinada.

 

Em março de 2026, o Caged registrou saldo positivo de 228 mil empregos formais criados. No acumulado de 12 meses, esse balanço é favorável em 1,2 milhão de novas vagas com carteira assinada em todo o país.

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