Em assembleia geral extraordinária realizada nesta quarta-feira, os acionistas do Banco de Brasília (BRB) autorizaram a elevação do capital social da instituição em até 8,81 bilhões de reais. O Governo do Distrito Federal, controlador do banco, detém 53,7% das ações ordinárias e liderou a decisão de aprovar a emissão de novos papéis.
O plano aprovado prevê a colocação de ações ordinárias e preferenciais ao preço unitário de 5,36 reais, por meio de subscrição privada no mercado. O objetivo é reforçar o caixa da instituição pública, ajustando a estrutura de capital e ampliando seu potencial de crescimento operacional, além de garantir níveis de capitalização considerados adequados pela administração.
Com a concretização desse processo, a expectativa dos gestores do banco é que o capital social saia do patamar atual, de 2,344 bilhões de reais, para pelo menos 2,88 bilhões de reais. O valor máximo projetado, caso todas as ações sejam subscritas, poderá alcançar 11,16 bilhões de reais.
Na mesma reunião, os acionistas também homologaram as nomeações do atual presidente do banco, Nelson Antônio de Souza, bem como de Joaquim Lima de Oliveira e Sergio Iunes Brito para integrarem o Conselho de Administração. Adicionalmente, ficou autorizada a realização de todos os trâmites e providências por parte do Conselho de Administração para tornar efetivo o aumento de capital aprovado.
O BRB enfrenta atualmente uma crise institucional considerada sem precedentes desde a sua fundação, em 1964. A primeira fase da chamada Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal no mês de novembro de 2025, revelou à sociedade a existência de um esquema de fraudes financeiras, que culminou em um prejuízo bilionário para o banco após a aquisição de créditos do Banco Master.
O controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, encontra-se preso desde o início de março deste ano, em decorrência das investigações. Os desdobramentos do caso também levaram ao afastamento e posteriormente à prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa (PHC), investigado sob suspeita de participação em crimes financeiros, lavagem de dinheiro, corrupção e envolvimento com organização criminosa.
Na última segunda-feira, o banco anunciou um memorando de entendimento firmado com a gestora de fundos Quadra Capital, com o objetivo de se desfazer dos ativos adquiridos do Banco Master. Pelo acordo estabelecido, a Quadra Capital compromete-se a efetuar pagamento à vista de valores entre 3 bilhões e 4 bilhões de reais referentes aos créditos do Master em poder do BRB. Além disso, há previsão de repasse adicional de 11 bilhões ou 12 bilhões de reais, condicionado ao desempenho na cobrança desses títulos, cujos resultados dependem do êxito do fundo de investimento a ser estruturado pela gestora em conjunto com o banco.
A operação prevê que BRB e Quadra Capital detenham participação acionária nesse fundo voltado à gestão e monetização dos referidos ativos. A formalização do negócio ainda aguarda análise do Banco Central.
“Obviamente, o fundo de investimento a ser estruturado vai ter que performar. A Quadra só fará os pagamentos das parcelas restantes se o fundo obtiver retorno. Ou seja, se ela conseguir receber, dos devedores, ao menos parte considerável dos créditos que o BRB comprou do Master”,
declarou o economista e professor da Universidade de Brasília, César Bergo, ao comentar o tema.
Bergo, que possui longa experiência no sistema financeiro, acredita que a aprovação desse acordo poderá amenizar a difícil situação enfrentada pelo banco público. No entanto, ele avalia que a medida, por si só, não é suficiente para solucionar integralmente o quadro.
“É um negócio que possibilita ao BRB respirar um pouco, por aparelhos, mas serão necessárias outras ações. E, por isso, ele está pedindo [mais de 6 bilhões de reais] de empréstimo ao Fundo Garantidor de Créditos [FGC] e sinalizando a intenção de implementar uma administração austera, com uma possível mudança da estratégia de negócios”,
concluiu o economista.