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Casos de síndrome respiratória grave crescem entre bebês no Brasil

Número de hospitalizações por SRAG entre crianças pequenas aumenta em quatro regiões e Fiocruz alerta para vacinação contra VSR e influenza.

16/04/2026 às 20:32
Por: Redação

O número de crianças com até dois anos de idade hospitalizadas por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) apresentou crescimento nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste do Brasil.

 

Segundo informações do Boletim InfoGripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em 16 de maio, a elevação das internações é atribuída principalmente ao aumento de infecções pelo vírus sincicial respiratório (VSR) nessa faixa etária.

 

O boletim faz referência à Semana Epidemiológica 14, que compreende o período de 5 a 11 de abril. No mesmo documento, é informado que os registros de casos graves de covid-19 seguem em queda nacionalmente.

 

A pesquisadora Tatiana Portella, integrante do Boletim InfoGripe e do Programa de Computação Científica da Fiocruz (Procc/Fiocruz), esclarece que o VSR é um dos maiores agentes causadores de hospitalizações por SRAG em crianças pequenas e figura como importante causador de bronquiolite.

 

Por esse motivo, ela considera fundamental que gestantes a partir de 28 semanas recebam a vacina contra o VSR, visando proteger os bebês nos primeiros meses de vida.

 

Com o cenário de aumento dos casos de hospitalização por influenza A em diversos estados, a pesquisadora destaca ainda a importância de que os grupos prioritários que ainda não foram imunizados procurem as unidades de saúde o quanto antes para tomar a dose anual da vacina.

 

Panorama do país evidencia estabilidade e alerta em estados

 

No Brasil, as tendências de curto e longo prazo para os casos de SRAG permanecem estáveis. Entretanto, o levantamento da Fiocruz aponta que, até a Semana Epidemiológica 14, quatorze estados continuavam apresentando incidência de SRAG em patamares de alerta, risco ou alto risco nas duas semanas mais recentes, com indícios de aumento na tendência de longo prazo, considerando as últimas seis semanas.

 

Esses estados são: Acre, Pará e Tocantins (região Norte); Maranhão, Piauí, Paraíba, Pernambuco, Sergipe e Bahia (Nordeste); Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás (Centro-Oeste); Minas Gerais e Rio de Janeiro (Sudeste).

 

O boletim também destaca o crescimento dos casos relacionados ao VSR em todo o Centro-Oeste e Sudeste, além dos estados de Acre, Pará, Tocantins e Roraima (Norte), e Maranhão, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia (Nordeste).

 

Além disso, observa-se aumento dos registros de influenza A em grande parte da região centro-sul, que abrange Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, além de Paraíba, Alagoas e Sergipe (Nordeste) e Amapá, Acre e Rondônia (Norte).

 

Por outro lado, foi notada redução dos casos de SRAG associados à influenza A nos estados do Maranhão, Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Bahia e Pernambuco (Nordeste), bem como no Pará e no Rio de Janeiro.

 

O levantamento indica também que os registros de SRAG ligados ao rinovírus demonstram tendência de estabilização ou queda na maior parte do país, exceto no Pará e em Mato Grosso, onde ainda há aumento.

 

Em relação às capitais, catorze cidades apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, com sinal de crescimento na tendência de longo prazo, considerando as últimas seis semanas até a Semana Epidemiológica 14. São elas: Rio Branco, Belém, Palmas, Cuiabá, Campo Grande, São Luís, Teresina, João Pessoa, Recife, Aracaju, Maceió, Belo Horizonte, Vitória e Rio de Janeiro.

 

Impacto por faixa etária e distribuição dos vírus

 

Nas últimas oito semanas epidemiológicas, tanto a incidência quanto a mortalidade semanal média mantiveram o padrão típico de maior impacto nos extremos das faixas etárias avaliadas. Crianças pequenas apresentaram as maiores taxas de incidência de SRAG, especialmente devido ao VSR e ao rinovírus, enquanto a mortalidade se revelou mais significativa entre idosos, com predominância dos casos causados por influenza A e covid-19.

 

Quando se trata de SRAG provocada por influenza A, a incidência atinge principalmente crianças de até quatro anos e pessoas idosas, sendo que o maior índice de óbitos permanece concentrado nos indivíduos com 65 anos ou mais.

 

Para o ano epidemiológico de 2026, foram registrados até o momento 37.244 casos de SRAG, dos quais 15.816 (42,5%) tiveram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 14.723 (39,5%) apresentaram resultado negativo e, pelo menos, 3.990 (10,7%) ainda aguardam análise.

 

Entre os casos positivos deste ano, a distribuição dos vírus identificados foi a seguinte: 41,1% de rinovírus, 25,5% de influenza A, 17,4% de VSR, 10,2% de Sars-CoV-2 (covid-19) e 1,7% de influenza B.

 

Considerando as quatro últimas semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos ficou em 33% para rinovírus, 32,2% para influenza A, 26,3% para VSR, 5,5% para Sars-CoV-2 (covid-19) e 2,4% para influenza B.

 

No mesmo intervalo, entre os óbitos com resultado positivo para vírus respiratórios, as porcentagens foram: 40,8% para influenza A, 26,9% para rinovírus, 23,3% para Sars-CoV-2 (covid-19), 5,3% para VSR e 4,1% para influenza B.

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