O ambiente financeiro brasileiro encerrou o mês de abril sob forte otimismo, impactado tanto por fatores internacionais como pela postura do Comitê de Política Monetária (Copom). Durante o pregão desta quinta-feira, investidores estrangeiros optaram por vender dólares e alocar recursos em ativos brasileiros, como ações, levando a cotação do dólar comercial a cair para 4,952 reais, o menor valor registrado desde 7 de março de 2024. Com essa movimentação, a moeda americana teve baixa de 0,99% no dia, representando uma queda de 0,049 real em relação ao fechamento anterior.
No acumulado de abril, o dólar perdeu 4,38% de valor frente ao real. Considerando o desempenho de 2024, a desvalorização chegou a 9,77%, posicionando o real entre as moedas de melhor performance do período. Este cenário está relacionado à redução da força do dólar em âmbito global e à tendência de deslocamento de investimentos para mercados com taxas de juros mais elevadas.
No contexto interno, mesmo com o início do ciclo de redução da taxa básica de juros, o Brasil ainda mantém juros em patamar alto. Na quarta-feira, o Banco Central promoveu novo corte, fixando a Selic em 14,50% ao ano, e expressou postura cautelosa ao indicar riscos relacionados à inflação para as próximas decisões de política monetária.
Enquanto isso, nos Estados Unidos, o Federal Reserve decidiu manter as taxas de juros entre 3,50% e 3,75%. O diferencial entre as taxas praticadas no Brasil e nos Estados Unidos amplia a atratividade do mercado brasileiro para investidores que buscam maior rentabilidade, o que contribui para a valorização do real.
No mesmo pregão, o euro comercial também registrou recuo, fechando cotado a 5,811 reais, queda de 0,48%. O valor atingido é o mais baixo desde 24 de junho de 2024.
A sessão desta quinta-feira foi marcada por uma retomada positiva no mercado acionário nacional. O índice Ibovespa, principal indicador da B3, encerrou o dia em 187.318 pontos, com alta de 1,39%. O avanço foi impulsionado tanto pela entrada de capital estrangeiro quanto por expectativas revisadas em relação à condução da política monetária brasileira.
A perspectiva de cortes mais graduais na Selic favorece a percepção de maior estabilidade econômica e tende a beneficiar o mercado de ações. Apesar disso, mesmo com a valorização registrada na última sessão de abril, o índice terminou o mês praticamente estável, já que uma sequência anterior de quedas eliminou parte dos ganhos alcançados anteriormente.
Durante o dia, investidores domésticos monitoraram indicadores econômicos e decisões políticas, que, apesar de acompanhados de perto, exerceram influência limitada sobre os preços dos ativos. Dados relativos ao mercado de trabalho revelaram resiliência da economia brasileira, reforçando a avaliação de que há menor espaço para cortes agressivos de juros no curto prazo.
As cotações do petróleo continuaram afetando as decisões de investidores em todo o mundo devido à forte volatilidade registrada. O preço do barril chegou a superar os 120 dólares durante o pregão, impulsionado por tensões geopolíticas envolvendo o Oriente Médio, mas perdeu força ao longo do dia.
O barril do tipo Brent, referência global utilizada pela Petrobras, fechou em 110,40 dólares, praticamente estável em relação ao pregão anterior. Já o barril WTI, negociado no mercado americano, encerrou o dia em 105,07 dólares, com recuo de 1,69%.
Essas oscilações refletem incertezas quanto ao fornecimento global de petróleo, em função de conflitos envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel, além de restrições na circulação de navios pelo Estreito de Hormuz, uma das principais rotas mundiais para o transporte da commodity. Mesmo com períodos de queda, os preços permanecem elevados, o que mantém pressão sobre a inflação internacional e impacta decisões de política monetária em diferentes países.
Informações complementares foram fornecidas pela Reuters