Cerca de 100 estudantes das escolas públicas localizadas no Alto da Independência, em Petrópolis, estão engajados em uma iniciativa educacional que visa promover a participação ativa e colaborativa de crianças e adolescentes em suas comunidades.
O projeto se desenvolve em três áreas principais: práticas de educação ambiental; incentivo à leitura e escrita; e atividades voltadas para a criatividade. O objetivo central é estimular o protagonismo dos jovens, que são convidados a planejar e implementar ações práticas com apoio dos professores.
Na primeira etapa, iniciada em 10 de março, três turmas participam das atividades. Conforme as expectativas dos organizadores, o alcance do projeto pode chegar a até 1.800 alunos ao longo do tempo.
O responsável pela idealização do programa, Victor Prado, destaca a possibilidade de ampliar a visão dos estudantes sobre temas frequentemente associados a estigmas. Ele ressalta a importância de os jovens se perceberem capazes e aprenderem a comunicar suas ideias de maneira eficaz, principalmente no contexto digital.
“Sustentabilidade não é custo, é oportunidade, assim como os games. Mas, antes de tudo, é fundamental que os estudantes se enxerguem como capazes e saibam comunicar suas ideias, daí a importância da leitura e da escrita diante das ferramentas digitais”, disse.
Prado esclarece que a concepção da iniciativa resulta de sua longa experiência junto a escolas públicas, sempre considerando os debates mais recentes sobre o uso da tecnologia na educação.
O primeiro eixo do projeto é o Desafio Verde, que consiste em um plano de educação ambiental estruturado a partir de oficinas, dinâmicas em grupo e ações de mobilização comunitária. O propósito é transformar os estudantes em agentes ativos na busca de soluções para questões socioambientais na região onde vivem.
Outra frente, denominada Vozes do Alto, tem como foco atividades de leitura, escrita e produção de conteúdo. Essa etapa estimula os alunos a observarem seu cotidiano e a criarem narrativas próprias a partir das experiências locais.
A terceira parte, chamada Arquitetura de Games, apresenta os jogos eletrônicos como expressão cultural, ferramenta tecnológica e oportunidade de explorar temas como criatividade, design, colaboração e até caminhos profissionais futuros.
Entre os educadores envolvidos está Samuel Barros, criador de conteúdo sobre games há mais de dez anos no YouTube e morador do Alto da Independência. Barros atua como professor do projeto e é um dos responsáveis pela organização do Torneio Intercolegial de Games. Ele relata ter ficado surpreso com o entusiasmo dos participantes.
“No princípio, eu pensei que apenas o projeto de games seria o que mais despertaria interesse dos alunos, porém, os três projetos foram muito bem recebidos”, disse.
“Apesar de darmos recompensas para os projetos mais criativos apresentados, nós percebemos que o interesse deles pelo projeto está muito além de quererem receber algo em troca. Isso foi uma das coisas que mais me chamou atenção”, completou.
Duas instituições de ensino participam da iniciativa: a Escola Municipal Alto Independência e o Centro Integrado de Educação Pública Santos Dumont (Ciep Santos Dumont). Segundo Victor Prado, devido ao interesse dos alunos, existe a previsão de abertura de novas turmas já na semana seguinte ao início do projeto.
Uma pesquisa publicada pelo Ministério da Educação (MEC) em 2025 revelou que quatro em cada dez estudantes brasileiros consideram as aulas práticas essenciais para a chamada “escola do futuro”.
Entre os alunos do 6º e 7º ano, 41% afirmam que essas atividades são tão importantes quanto as práticas esportivas. O mesmo entendimento é compartilhado por 39% dos estudantes dos 8º e 9º anos. O levantamento também aponta para o destaque das ações que envolvem tecnologia e uso de mídias digitais.
Os dados fazem parte do Relatório Nacional da Semana da Escuta das Adolescências nas Escolas. Este documento reúne a percepção de 2,3 milhões de jovens matriculados em todos os estados do país e foi elaborado pelo MEC em parceria com o Itaú Social, o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime).
*Estagiária sob supervisão da jornalista Mariana Tokarnia.