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Manifestantes repudiam uso de escola pública para filme anti-Paulo Freire

Ação da Brasil Paralelo na Emei Patrícia Galvão, autorizada pela prefeitura, provocou aula pública e críticas de educadores e pais.

18/04/2026 às 21:42
Por: Redação

Professores, pais de alunos, sindicatos e parlamentares se reuniram neste sábado (18) na capital paulista para um ato público, protestando contra a utilização de uma escola infantil municipal como cenário para um filme da produtora Brasil Paralelo. A manifestação ocorreu na Praça Roosevelt, em frente à Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Patrícia Galvão (Pagu), local onde foram capturadas imagens para a obra 'Pedagogia do Abandono', ainda inédita.

 

A produção cinematográfica tem sido alvo de críticas por supostamente difamar a educação pública brasileira e a figura de Paulo Freire, reconhecido como patrono da Educação no país.

 

Conhecida por criar conteúdo alinhado à extrema-direita, a Brasil Paralelo já enfrentou problemas legais. Parte de seus colaboradores se tornou ré em um processo relacionado a outro filme, 'A Investigação Paralela: o Caso Maria da Penha'. A Justiça do Ceará aceitou uma denúncia do Ministério Público estadual, transformando dois membros da produtora em réus sob a acusação de envolvimento em uma campanha de ódio direcionada a Maria da Penha, figura emblemática na luta contra a violência doméstica.

 

“A gente está aqui para dizer que Paulo Freire está presente. Ele está presente nas nossas escolas, nos nossos pensamentos, nos nossos estudos, e não só na EMEI Patrícia Galvão. Ele está presente na cidade toda, no Brasil a fora e fora do Brasil inclusive”, disse a diretora da Emei Patrícia Galvão, Sandra Regina Bouças.
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Apesar de não conceder entrevistas à imprensa, Sandra Regina Bouças divulgou uma carta em suas redes sociais, questionando veementemente a gravação que ocorreu dentro da escola. As filmagens foram previamente autorizadas pela prefeitura de São Paulo.

 

Na comunicação, a diretora expressou sua percepção de que o projeto visa descreditar a educação pública e distorcer a imagem de Paulo Freire, com interpretações consideradas 'muito equivocadas'. Ela levantou a hipótese de que a iniciativa poderia ser uma tentativa de promover a ideia de que a terceirização ou privatização da Educação Infantil seria a solução para alcançar um ensino de qualidade.

 

Ainda em sua carta, Sandra Bouças revelou que só tomou conhecimento da identidade da produtora, a Brasil Paralelo, na véspera das gravações. Segundo ela, 'na noite anterior à data marcada para a gravação, fomos surpreendidas por um termo de anuência em nome da Brasil Paralelo'. A diretora ressaltou que a empresa é 'responsável por vídeos de caráter marcadamente ideológico, em que diversas produções têm por objetivo descaracterizar e objetificar o ensino público pejorativamente'.

 

Denise Carreira, professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP) e educadora popular, alertou que o propósito da produção é enfraquecer políticas públicas de caráter social e racial, além da pauta de gênero.

 

““Precisamos estar atentas contra esse absurdo. E defender a escola democrática, a escola que promova uma educação transformadora baseada no pensamento, na trajetória, na ação de Paulo Freire”, acrescentou.

 

Eduarda Lins, mãe de uma das crianças matriculadas na Emei, elogiou a equipe da escola, mas criticou duramente a produtora e a administração municipal. 'Quando a gente descobre que a nossa prefeitura está disponibilizando um espaço público para uma empresa privada com fins, no mínimo, obscuros, que inclusive está sendo investigada pelo MP, dói no nosso coração', declarou.

 

Posicionamento da Spcine

 

A Spcine, órgão responsável pelo fomento ao audiovisual em São Paulo, comunicou que o pedido de gravação foi recebido e, após a análise técnica da SP Film Commission – setor encarregado de processar e encaminhar solicitações de filmagem – a autorização foi emitida.

 

A instituição explicou que o processo é padrão e seguiu o mesmo protocolo aplicado a outras 253 solicitações recebidas pelo município para essa finalidade no ano de 2026. Somente no ano anterior, mais de mil gravações haviam sido liberadas. A Spcine também enfatizou que a verificação de aspectos legais, como o uso de imagem e a participação de menores, é de total responsabilidade das produtoras.

 

A Agência Brasil tentou contato com a produtora Brasil Paralelo para obter um posicionamento, mas não recebeu resposta até o momento da publicação.

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