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Petrobras aumenta preço do combustível de aviação em 18% e mantém opção de parcelamento

Reajuste no querosene de aviação chega a um real por litro; governo mantém isenção de tributos até 31 de maio

02/05/2026 às 02:55
Por: Redação

A Petrobras anunciou um reajuste médio de 18% no valor do querosene de aviação, tornando o preço do litro do combustível um real mais caro em comparação ao mês anterior. A empresa continuará permitindo que os compradores possam realizar o pagamento desse reajuste de forma parcelada.

 

O querosene de aviação, derivado do petróleo, é utilizado em aeronaves como aviões e helicópteros e corresponde a cerca de metade dos custos operacionais das companhias aéreas brasileiras.

 

Opção de pagamento parcelado

 

Pela segunda vez consecutiva, a Petrobras decidiu oferecer às distribuidoras responsáveis pelo fornecimento de combustível à aviação comercial a possibilidade de parcelar o aumento, permitindo o pagamento em até seis parcelas. A parcela inicial deverá ser quitada em julho de 2026.

 

Segundo comunicado divulgado pela estatal, a alternativa do parcelamento busca preservar a demanda pelo querosene de aviação, atenuando os impactos do aumento de preço no setor aéreo brasileiro e garantindo o funcionamento eficiente do mercado.

 

“Dentro de um contexto excepcional causado por questões geopolíticas, a Petrobras oferece uma alternativa que contribui para a saúde financeira de seus clientes ao mesmo tempo em que preserva a neutralidade financeira [equilíbrio das contas] para a companhia”, completa a nota.


 

Informações da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) apontam que, antes do reajuste estabelecido para maio, o querosene respondia por 45% dos custos operacionais das empresas de transporte aéreo no país.

 

Estrutura do setor e mercado concorrencial

 

A Petrobras realiza a comercialização do querosene produzido em suas refinarias, assim como do combustível importado, diretamente para distribuidoras. Após a aquisição, essas distribuidoras são responsáveis pelo transporte e venda do produto para companhias aéreas, consumidores finais nos aeroportos e outros revendedores.

 

Atualmente, a empresa estatal responde por cerca de 85% de toda a produção nacional de querosene de aviação, porém o setor é caracterizado pela livre concorrência, não existindo restrições para que outras empresas atuem tanto na produção quanto na importação do combustível.

 

Impacto internacional e aumento do petróleo

 

No cenário internacional, a elevação dos preços é influenciada pelo conflito no Irã, iniciado em 28 de fevereiro, que envolveu ataques dos Estados Unidos e de Israel ao território iraniano. A região é estratégica, concentrando países produtores de petróleo e rotas essenciais, como o Estreito de Ormuz, responsável por escoar aproximadamente 20% da produção mundial.

 

Como resultado desse contexto, foram observadas distorções na cadeia global do petróleo, contribuindo para a escalada dos preços. Entre as medidas tomadas pelo Irã, está o bloqueio do Estreito de Ormuz, o que dificulta a logística de exportação do óleo cru.

 

Nos últimos dias, o preço do barril do tipo Brent, referência internacional, foi negociado próximo a 120 dólares (aproximadamente 595 reais). Antes do início da guerra, esse valor era de cerca de 70 dólares, o que representa uma alta superior a 70% no período.

 

Critérios de ajuste do preço

 

A Petrobras esclareceu que utiliza, há mais de duas décadas, uma fórmula para o cálculo do preço do querosene de aviação. Esse método busca promover o equilíbrio entre os valores praticados no mercado nacional e internacional e tem função de amortecer variações de curto prazo, resultando em aumentos menores do que aqueles observados em outros países.

 

Segundo a estatal, em mercados internacionais onde os valores sofrem ajustes com maior frequência, acompanhando de maneira direta as cotações externas, as recentes elevações de preço foram superiores às registradas no Brasil.

 

Medidas governamentais para o setor aéreo

 

Com o objetivo de atenuar os efeitos da elevação dos preços sobre as despesas das companhias aéreas e, consequentemente, sobre o valor das passagens, o governo federal decidiu zerar, em 8 de maio, as alíquotas dos tributos federais PIS e Cofins incidentes sobre o querosene de aviação. Essa isenção permanecerá em vigor até 31 de maio.

 

Outras ações implementadas incluem o adiamento do pagamento de tarifas de navegação aérea, as quais são devidas à Força Aérea Brasileira, e a disponibilização de nove bilhões de reais em linhas de crédito para as companhias aéreas, com recursos operados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pelo Fundo Nacional de Aviação Civil.

 

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