A Petrobras anunciou um reajuste médio de 18% no valor do querosene de aviação, tornando o preço do litro do combustível um real mais caro em comparação ao mês anterior. A empresa continuará permitindo que os compradores possam realizar o pagamento desse reajuste de forma parcelada.
O querosene de aviação, derivado do petróleo, é utilizado em aeronaves como aviões e helicópteros e corresponde a cerca de metade dos custos operacionais das companhias aéreas brasileiras.
Pela segunda vez consecutiva, a Petrobras decidiu oferecer às distribuidoras responsáveis pelo fornecimento de combustível à aviação comercial a possibilidade de parcelar o aumento, permitindo o pagamento em até seis parcelas. A parcela inicial deverá ser quitada em julho de 2026.
Segundo comunicado divulgado pela estatal, a alternativa do parcelamento busca preservar a demanda pelo querosene de aviação, atenuando os impactos do aumento de preço no setor aéreo brasileiro e garantindo o funcionamento eficiente do mercado.
“Dentro de um contexto excepcional causado por questões geopolíticas, a Petrobras oferece uma alternativa que contribui para a saúde financeira de seus clientes ao mesmo tempo em que preserva a neutralidade financeira [equilíbrio das contas] para a companhia”, completa a nota.
Informações da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) apontam que, antes do reajuste estabelecido para maio, o querosene respondia por 45% dos custos operacionais das empresas de transporte aéreo no país.
A Petrobras realiza a comercialização do querosene produzido em suas refinarias, assim como do combustível importado, diretamente para distribuidoras. Após a aquisição, essas distribuidoras são responsáveis pelo transporte e venda do produto para companhias aéreas, consumidores finais nos aeroportos e outros revendedores.
Atualmente, a empresa estatal responde por cerca de 85% de toda a produção nacional de querosene de aviação, porém o setor é caracterizado pela livre concorrência, não existindo restrições para que outras empresas atuem tanto na produção quanto na importação do combustível.
No cenário internacional, a elevação dos preços é influenciada pelo conflito no Irã, iniciado em 28 de fevereiro, que envolveu ataques dos Estados Unidos e de Israel ao território iraniano. A região é estratégica, concentrando países produtores de petróleo e rotas essenciais, como o Estreito de Ormuz, responsável por escoar aproximadamente 20% da produção mundial.
Como resultado desse contexto, foram observadas distorções na cadeia global do petróleo, contribuindo para a escalada dos preços. Entre as medidas tomadas pelo Irã, está o bloqueio do Estreito de Ormuz, o que dificulta a logística de exportação do óleo cru.
Nos últimos dias, o preço do barril do tipo Brent, referência internacional, foi negociado próximo a 120 dólares (aproximadamente 595 reais). Antes do início da guerra, esse valor era de cerca de 70 dólares, o que representa uma alta superior a 70% no período.
A Petrobras esclareceu que utiliza, há mais de duas décadas, uma fórmula para o cálculo do preço do querosene de aviação. Esse método busca promover o equilíbrio entre os valores praticados no mercado nacional e internacional e tem função de amortecer variações de curto prazo, resultando em aumentos menores do que aqueles observados em outros países.
Segundo a estatal, em mercados internacionais onde os valores sofrem ajustes com maior frequência, acompanhando de maneira direta as cotações externas, as recentes elevações de preço foram superiores às registradas no Brasil.
Com o objetivo de atenuar os efeitos da elevação dos preços sobre as despesas das companhias aéreas e, consequentemente, sobre o valor das passagens, o governo federal decidiu zerar, em 8 de maio, as alíquotas dos tributos federais PIS e Cofins incidentes sobre o querosene de aviação. Essa isenção permanecerá em vigor até 31 de maio.
Outras ações implementadas incluem o adiamento do pagamento de tarifas de navegação aérea, as quais são devidas à Força Aérea Brasileira, e a disponibilização de nove bilhões de reais em linhas de crédito para as companhias aéreas, com recursos operados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pelo Fundo Nacional de Aviação Civil.