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Anistia Internacional aponta EUA, Israel e Rússia como ameaça ao sistema global

Relatório anual destaca violações em 144 países e alerta para impactos em direitos civis, ambientais e sociais

21/04/2026 às 18:04
Por: Redação

A Anistia Internacional afirmou em seu relatório anual, divulgado na terça-feira (21), que Estados Unidos, Israel e Rússia promovem ações que comprometem o funcionamento do multilateralismo, do direito internacional e da participação da sociedade civil. O relatório, chamado A situação dos direitos humanos no mundo, apresenta uma análise referente a 144 países.

 

Agnès Callamard, secretária-geral da organização, declarou que determinados grupos políticos e econômicos, assim como aqueles que facilitam seus interesses, impulsionam a descontinuidade do sistema multilateral, não por ineficiência, mas pelo fato de esse sistema não estar alinhado à manutenção de sua hegemonia e dominação.

 

“A resposta não é proclamar que o sistema é uma quimera ou que não há como consertá-lo, mas sim enfrentar seus fracassos, acabar com sua aplicação seletiva e continuar transformando-o para que seja plenamente capaz de defender todas as pessoas com a mesma determinação”, afirma Agnès Callamard.


 

Acusações de violações cometidas por Israel e Estados Unidos

 

O relatório atribui a Israel a continuidade do genocídio contra a população palestina na Faixa de Gaza, mesmo após a formalização de um cessar-fogo em outubro de 2025. Segundo a Anistia Internacional, Israel mantém um regime de apartheid sobre os palestinos, acelera a ampliação de assentamentos ilegais na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental, e avança em direção à anexação desses territórios.

 

A entidade também informa que autoridades israelenses têm adotado ou estimulado a atuação de colonos que praticam ataques e ameaças contra a população palestina, sem que sejam responsabilizados. A Anistia aponta, ainda, que líderes proeminentes do governo de Israel elogiaram e incentivaram atos violentos contra palestinos, abrangendo prisões arbitrárias e tortura de detidos.

 

Os Estados Unidos, de acordo com o relatório, realizaram mais de 150 execuções extrajudiciais ao bombardear embarcações nas regiões do Caribe e do Pacífico. Além disso, foi registrado um ato de agressão à Venezuela em janeiro de 2026, período no qual ocorreu o sequestro do presidente Nicolás Maduro.

 

Também segundo a Anistia Internacional, tanto os Estados Unidos quanto Israel fizeram uso inadequado da força contra o Irã, descumprindo as disposições da Carta das Nações Unidas, o que motivou atos de retaliação iranianos contra Israel e membros do Conselho de Cooperação dos Estados Árabes do Golfo. No mesmo contexto, Israel intensificou operações ofensivas contra o Líbano.

 

O relatório cita o episódio em que mais de 100 crianças morreram durante um ataque, considerado ilegal, realizado pelos Estados Unidos em uma escola no Irã. O conflito, caracterizado por ataques severos de todos os lados contra instalações energéticas, é apontado como um fator de risco para a vida e a saúde de milhões de civis.

 

A Anistia Internacional destaca que o prolongamento da guerra pode provocar danos ambientais graves e duradouros, afetando o acesso à energia, serviços de saúde, alimentação e abastecimento de água, especialmente em uma região já marcada por instabilidade, com consequências também para outras áreas do planeta.

 

Ações russas e postura dos países europeus

 

O documento informa que a Rússia aumentou os ataques aéreos contra estruturas civis essenciais na Ucrânia, provocando impactos significativos à população. Conforme a avaliação da Anistia Internacional, tanto a União Europeia quanto a maioria dos Estados do continente europeu mantiveram uma postura de conivência diante das violações cometidas pelos Estados Unidos contra o direito internacional e os instrumentos multilaterais.

 

Segundo o relatório, essas nações não adotaram ações firmes para interromper os crimes de Israel nem para pôr fim ao fornecimento imprudente de armas e tecnologias que contribuem para ofensas ao direito internacional em diversos países.

 

Violência e violações dos direitos humanos no Brasil

 

No cenário brasileiro, a Anistia Internacional aponta que episódios de violência policial continuam sendo um dos problemas mais críticos. Em outubro de 2025, uma operação antidrogas conduzida pelas polícias civil e militar do Rio de Janeiro em diversas favelas resultou na morte de mais de 120 pessoas, a maioria composta por negros em situação de vulnerabilidade social. O relatório descreve a Operação Contenção, realizada nos Complexos da Penha e do Alemão, na zona norte da cidade, como a mais letal da história do estado.

 

A organização contextualiza que essa ocorrência faz parte de um padrão recorrente de ações policiais letais, que atingem de modo desproporcional comunidades negras e periféricas, indicando que a população negra permanece como principal vítima do uso letal da força por parte do Estado brasileiro.

 

Além disso, a Anistia Internacional afirma que a violência de gênero no Brasil manteve índices alarmantes, com registros de feminicídios em todas as regiões e persistência da impunidade. Pessoas LGBTI também foram vítimas de agressões motivadas por racismo e lgbtifobia, sem que o Estado oferecesse a devida proteção.

 

“A Anistia Internacional apela ao Brasil para que adote medidas efetivas de responsabilização pela violência policial, avance urgentemente na demarcação dos territórios indígenas e quilombolas, enfrente a crise climática com ambição compatível com sua responsabilidade histórica e garanta, sem discriminação, os direitos humanos de toda a sua população”, conclui a organização.


 

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