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Dourados entra em calamidade por chikungunya e inicia vacinação dia 27

Município enfrenta colapso no sistema de saúde e inicia vacinação em adultos entre 18 e 60 anos

22/04/2026 às 16:51
Por: Redação

A Prefeitura de Dourados, no Mato Grosso do Sul, decretou estado de calamidade pública na área da saúde devido ao crescimento da epidemia de chikungunya no município. Inicialmente, o número de casos se concentrava na Reserva Indígena de Dourados, mas agora há registros também em diferentes bairros da cidade.

 

O prefeito Marçal Filho já havia determinado situação de emergência em saúde pública no dia 20 de março e, uma semana depois, publicou um segundo decreto declarando emergência em defesa civil especificamente para áreas impactadas pela chikungunya.

 

O novo decreto, que formaliza a calamidade pública por 90 dias, foi expedido seguindo diretrizes do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE), responsável por organizar as ações de enfrentamento tanto na área indígena quanto na zona urbana do município.

 

Segundo informações do comunicado oficial, Dourados enfrenta um quadro epidemiológico considerado crítico, com mais de 6.186 notificações de casos prováveis da doença, além de uma taxa de positividade de 64,9% para chikungunya.

 

Dados fornecidos pelo Departamento de Gestão do Complexo Regulador do município apontam que o sistema de saúde local está operando acima de sua capacidade, com a ocupação de leitos de internação atingindo cerca de 110%. Essa sobrecarga inviabiliza uma resposta adequada inclusive para quadros graves de chikungunya.

 

Campanha de imunização organizada para início imediato

A vacinação contra o chikungunya deve começar na segunda-feira, dia 27. A chegada do primeiro lote de vacinas ocorreu na noite da última sexta-feira, 17.

 

A administração municipal programou atividades de capacitação para os dias 22 e 23 de maio, direcionadas a profissionais de enfermagem. O objetivo é prepará-los para orientar a população sobre restrições da vacina e identificar eventuais comorbidades antes da aplicação.

 

De acordo com as normas estabelecidas pelo Ministério da Saúde, somente adultos com mais de 18 anos e menos de 60 anos podem ser vacinados. A expectativa é atingir, pelo menos, 27% da população apta, o que representa aproximadamente 43 mil pessoas.

 

Existem restrições para determinadas condições na administração do imunizante. Não podem receber a vacina:

 

  • Gestantes ou mulheres em período de amamentação;
  • Pessoas que fazem uso de medicamentos imunossupressores, incluindo corticóides em altas doses;
  • Pessoas portadoras de imunodeficiência congênita;
  • Indivíduos em tratamento oncológico, submetidos a quimioterapia ou radioterapia;
  • Transplantados de órgão sólido;
  • Pessoas que realizaram transplante de medula óssea há menos de dois anos;
  • Pessoas diagnosticadas com HIV/aids;
  • Pessoas com doenças autoimunes, como lúpus ou artrite reumatóide;
  • Indivíduos que tenham pelo menos duas condições crônicas, entre elas diabetes, hipertensão, insuficiência cardíaca, arritmia cardíaca, doença pulmonar crônica, doença renal crônica, obesidade, doença hepática crônica e câncer (em tratamento ou remissão).

 

Também há contraindicação para quem teve chikungunya nos 30 dias anteriores, quem apresenta febre de intensidade grave, quem recebeu vacina de vírus atenuado nos últimos 28 dias ou imunizante de vírus inativado nos últimos 14 dias.

 

Espera-se que a campanha de imunização ocorra de maneira gradual, já que cada pessoa do público-alvo passará por avaliação individual feita por profissional de saúde antes de receber a dose. A distribuição das vacinas por todas as salas de vacinação do município, incluindo as ligadas à saúde indígena, está marcada para a sexta-feira, dia 24.

 

No feriado de 1º de maio, está prevista uma ação especial de vacinação em sistema drive-thru, das 8h ao meio-dia, no pátio da prefeitura.

 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a vacina contra chikungunya em abril de 2025. O planejamento nacional prevê a aplicação estratégica da vacina em áreas com potencial elevado de transmissão, abrangendo cerca de 20 municípios de seis estados nos próximos anos.

 

“A escolha dos municípios levou em conta fatores epidemiológicos relacionados à possível ocorrência de casos em áreas onde o vírus já circula, o porte populacional dos municípios e a facilidade operacional para implantar rapidamente uma nova vacina na rede de saúde local”, detalhou a prefeitura.


 

Panorama dos indicadores locais

Dados apurados até segunda-feira, 20 de maio, mostram que Dourados contabilizava 4.972 casos prováveis de chikungunya, dos quais 2.074 foram confirmados, 1.212 descartados e 2.900 ainda estão sob investigação. Oito mortes foram confirmadas em decorrência da doença, sendo sete delas entre moradores da reserva indígena.

 

Recurso emergencial do governo federal

No fim de março, o Ministério da Saúde liberou um aporte emergencial de 900 mil reais para o combate ao chikungunya em Dourados. O valor será repassado em parcela única do Fundo Nacional de Saúde ao fundo municipal local.

 

Segundo o Ministério da Saúde, os recursos viabilizarão ações como intensificação da vigilância em saúde, combate ao mosquito Aedes aegypti, aprimoramento do atendimento assistencial e suporte direto às equipes de atendimento à população.

 

Informações sobre a chikungunya

Chikungunya é uma arbovirose transmitida pela picada de fêmeas de mosquitos do gênero Aedes. No Brasil, até o momento, o principal vetor é o Aedes aegypti. O vírus foi introduzido nas Américas em 2013, provocando epidemias em países da América Central e no Caribe.

 

A confirmação laboratorial dos primeiros casos no Brasil ocorreu no segundo semestre de 2014, nos estados do Amapá e da Bahia. Atualmente, a transmissão é registrada em todos os estados do país.

 

Em 2023, houve uma ampliação significativa da circulação do vírus, especialmente na Região Sudeste. Antes, as maiores incidências eram registradas no Nordeste.

 

A infecção por chikungunya apresenta como sintomas principais o inchaço e a dor articular incapacitante, podendo também provocar manifestações extra-articulares. Em situações graves, a doença pode exigir hospitalização e pode evoluir para óbito.

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