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Lula reage à expulsão de delegado brasileiro dos EUA e declara reciprocidade

Presidente diz que Brasil adotará medidas equivalentes se for confirmado abuso contra policial brasileiro nos EUA

21/04/2026 às 17:16
Por: Redação

Durante visita oficial à Alemanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se pronunciou sobre o pedido do governo dos Estados Unidos para que um delegado da Polícia Federal, associado à prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem, deixasse o território americano.

 

Lula afirmou que, caso seja constatado abuso por parte das autoridades norte-americanas em relação ao policial brasileiro, o governo do Brasil adotará medidas equivalentes quanto a representantes dos Estados Unidos no país.

 

“Não sei o que aconteceu. Fui informado hoje de manhã. Acho que, se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o deles no Brasil. Não tem conversa”, disse Lula.


 

O presidente destacou que o Brasil busca que as relações internacionais sejam conduzidas de forma correta, mas ressaltou que não aceitará ingerências ou excessos de autoridade por parte de autoridades americanas em relação ao país.

 

Lula enfatizou que as ações devem ocorrer dentro das normas estabelecidas e não admitirá tentativas de impor condutas unilaterais por parte dos Estados Unidos.

 

Contexto do caso envolvendo o delegado brasileiro

 

O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos informou, na segunda-feira (20), que solicitou a saída de um funcionário brasileiro do país. Embora o comunicado não trouxesse nomes, as informações apontam que o servidor em questão é um delegado da Polícia Federal envolvido na detenção do ex-deputado Alexandre Ramagem.

 

A manifestação foi realizada por meio da rede social X. Segundo o órgão dos Estados Unidos, o policial brasileiro teria tentado burlar os mecanismos oficiais de cooperação jurídica estabelecidos entre os dois países.

 

“Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso.”


 

Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e ex-deputado, foi preso na Flórida e ficou detido por dois dias antes de ser liberado em 15 de abril. O Supremo Tribunal Federal (STF) havia condenado Ramagem, no ano anterior, a 16 anos de prisão, sendo réu em processo referente a uma tentativa de golpe de Estado.

 

Após a condenação, Ramagem perdeu o mandato parlamentar, deixou o Brasil para escapar do cumprimento da sentença e passou a residir nos Estados Unidos.

 

No mês de dezembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou que o pedido formal de extradição de Ramagem fosse encaminhado oficialmente ao governo norte-americano, por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública brasileiro.

 

Em comunicado recente, a Polícia Federal esclareceu que a prisão de Ramagem ocorreu devido à atuação conjunta entre as autoridades policiais do Brasil e dos Estados Unidos, no âmbito da cooperação internacional.

 

Segundo a corporação, Ramagem foi detido em Orlando, sendo considerado foragido da Justiça brasileira após condenação por crimes como organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

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