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Lula defende reciprocidade após retirada de agente dos EUA pela Polícia Federal

Presidente anuncia medida após reação dos EUA à prisão de Ramagem e reforça combate ao crime organizado

23/04/2026 às 10:36
Por: Redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou apoio à decisão do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que determinou o cancelamento das credenciais diplomáticas de um agente de imigração dos Estados Unidos que atuava na sede da Polícia Federal em Brasília.

 

Durante um vídeo publicado nas redes sociais, Lula declarou que essa medida atende ao princípio de reciprocidade. Ele afirmou, na presença do diretor-geral da PF e do ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva:

 

"Eles fizeram conosco, a gente vai fazer com eles. Esperando que eles estejam dispostos a voltar a conversar e as coisas voltarem à normalidade"

 

A decisão do governo brasileiro foi tomada em resposta à orientação do governo dos Estados Unidos, que exigiu a saída do delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho, integrante da Polícia Federal, do território norte-americano. O delegado Marcelo Ivo de Carvalho esteve envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.

 

O Ministério das Relações Exteriores divulgou comunicado afirmando que a embaixada dos Estados Unidos foi informada no dia anterior da intenção do Brasil de adotar o princípio da reciprocidade, diante da decisão sumária de expulsar o agente da Polícia Federal Brasileira, que não foi antecedida por solicitação de esclarecimento ou tentativa de diálogo sobre o caso, conforme previsto em acordo bilateral de cooperação policial.

 

A nota do Itamaraty ressalta que a medida dos Estados Unidos não respeitou práticas diplomáticas recomendadas para o diálogo entre países com relações históricas, como o Brasil e os Estados Unidos, que mantêm laços há mais de dois séculos.

 

"O agente brasileiro atuava com base em memorando de entendimento firmado entre os dois governos sobre a facilitação do intercâmbio de oficiais de ligação na área de segurança", detalha o comunicado, reforçando que a medida adotada em relação ao agente norte-americano reflete o mesmo tratamento.

 

Contexto da expulsão dos agentes

 

O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos anunciou, na segunda-feira anterior, que solicitou a retirada de um funcionário brasileiro do país. Embora o órgão não citasse explicitamente o nome, a comunicação indicava tratar-se do delegado Marcelo de Carvalho, da Polícia Federal, envolvido na detenção do ex-deputado Alexandre Ramagem.

 

Alexandre Ramagem, que já ocupou o cargo de diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), foi detido na Flórida por dois dias e liberado posteriormente. No ano anterior, Ramagem havia sido condenado a 16 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal, sob acusação de envolvimento em trama golpista. Após a condenação, teve o mandato cassado e deixou o Brasil para evitar o cumprimento da pena, passando a residir nos Estados Unidos.

 

Em dezembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes determinou que fosse encaminhado aos Estados Unidos, pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, o pedido formal de extradição de Ramagem.

 

Em abril, a Polícia Federal informou que a prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem por autoridades de imigração dos Estados Unidos foi resultado de cooperação policial internacional entre Brasil e Estados Unidos. De acordo com a Polícia Federal, Ramagem foi detido em Orlando e permanece foragido da Justiça brasileira, após ter sido condenado por crimes como organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado democrático de direito.

 

Reforço na Polícia Federal

 

No vídeo divulgado, Lula também anunciou a contratação de mil novos agentes para a Polícia Federal. Esses profissionais reforçarão a atuação em portos, aeroportos e áreas de fronteira. Segundo o presidente, a medida integra o compromisso do governo federal com o combate ao crime organizado.

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