Em um encontro realizado nesta sexta-feira (17) em Barcelona, os governos do Brasil e da Espanha formalizaram uma série de acordos envolvendo o setor de grandes empresas de tecnologia, o desenvolvimento digital, a exploração de minerais estratégicos e o enfrentamento da desigualdade social, discriminações de diferentes naturezas e o crime organizado.
Esses compromissos foram oficializados pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Pedro Sánchez durante a 1ª Cúpula Brasil-Espanha. Segundo os dois chefes de Estado, os acordos refletem posições convergentes dos países tanto no cenário internacional quanto na garantia de direitos às suas populações.
Além dos documentos assinados pelos presidentes, autoridades setoriais dos dois países também realizaram reuniões que resultaram em negociações concluídas para acordos relativos a diferentes áreas. Entre elas, destacam-se: a cooperação em tecnologias da informação e telecomunicações; a formulação de políticas públicas voltadas a pequenas e médias empresas; o intercâmbio cultural e a promoção da sustentabilidade; a regulamentação dos transportes aéreos; e a área de previdência social.
Lula ressaltou que a Espanha, ao longo das últimas décadas, figura entre os maiores investidores estrangeiros presentes no território brasileiro, com participação expressiva nos segmentos de telecomunicação, setor financeiro, energético e de infraestrutura.
“As empresas espanholas arremataram 50 projetos no Programa de Parcerias e Investimentos brasileiro, somando mais de 10 bilhões de dólares em investimentos.”
Durante a agenda de visitas a países europeus, Lula afirmou que há preocupação comum entre Brasil e Espanha quanto à necessidade de criar normas capazes de regulamentar as atividades das grandes empresas de tecnologia digital, conhecidas como big techs, que detêm influência econômica, política e social em escala mundial.
“Sem regras, as big techs vão instituir a era do colonialismo digital”, afirmou Lula, destacando que essas corporações recolhem e comercializam dados de usuários e concentram poder “nas mãos de um punhado de bilionários”.
O presidente do Brasil também pontuou que ambos os países vêm investindo no desenvolvimento de capacidades próprias para assegurar a soberania digital, com o intercâmbio de diálogos promovido entre o Centro Nacional de Supercomputação de Barcelona e o Laboratório Nacional de Computação Científica brasileiro.
Segundo Lula, a cooperação entre essas instituições proporcionará o avanço de projetos em conjunto, especialmente nas áreas de inteligência artificial e outras tecnologias emergentes.
Os acordos firmados também abrangem a colaboração em cadeias produtivas de minerais considerados estratégicos para a economia dos dois países.
“Assumimos o compromisso de cooperar em diferentes etapas da cadeia de minerais estratégicos, gerando conhecimento e agregando valor”, reforçou Lula.
Pedro Sánchez, presidente da Espanha, classificou Brasil e Espanha como “países motores” que contribuem para uma maior aproximação entre a União Europeia e a América Latina e Caribe, regiões que, segundo ele, compartilham valores semelhantes.
O chefe de Estado espanhol assinalou que, diante do cenário internacional marcado pela fragmentação, o fortalecimento da parceria entre Brasil e Espanha representa um movimento relevante para a política externa dos dois países.
“No âmbito do Mercosul, queremos transmitir uma mensagem totalmente diferente: de cooperação, de abertura, de confiança mútua e de prosperidade compartilhada.”
Sánchez também mencionou que, além de visões convergentes sobre temas como paz e multilateralismo, Brasil e Espanha mantêm o objetivo de avançar no combate à desigualdade.
Entre as iniciativas conjuntas, o presidente espanhol destacou os compromissos sociais direcionados à luta contra a violência de gênero, à promoção da igualdade racial e ao desenvolvimento da economia solidária.
Colaboração de Andréia Verdélio.