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MPRJ escuta familiares de vítimas da Operação Contenção para investigar mortes

Promotores do Ministério Público do Rio colhem depoimentos de parentes para investigar mortes em ação policial que deixou 122 mortos.

29/04/2026 às 22:07
Por: Redação

Promotores do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (Gaesp/MPRJ) ouviram, nesta terça-feira, 28 de abril, familiares das pessoas que morreram durante a Operação Contenção, ocorrida em outubro de 2025 nos Complexos da Penha e do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro. A ação policial resultou em 122 mortes, incluindo cinco policiais civis e militares.

 

O atendimento aos familiares foi realizado no quartel do Corpo de Bombeiros da Penha, com apoio das equipes da ouvidoria itinerante do Ministério Público. O encontro teve como principal objetivo colher relatos e informações sobre a dinâmica dos acontecimentos durante a operação, visando contribuir para o esclarecimento dos fatos apurados pelo Ministério Público.

 

Desde o início das investigações, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro realiza um esforço ativo para encontrar familiares das vítimas, com o intuito de elucidar as circunstâncias relacionadas à ação policial e garantir que as pessoas interessadas possam acompanhar de perto as informações sobre o andamento das apurações.

 

“A escuta dos familiares, realizada hoje e no dia 24 de março último, no Corpo de Bombeiros, é extremamente relevante no âmbito da investigação autônoma que vem sendo conduzida pelo Gaesp. A apuração demanda essas informações, para que se entenda quem eram as pessoas mortas durante a operação e se tirar uma compreensão melhor dos fatos”.


 

A estrutura de atendimento foi montada próxima ao local onde a ação policial ocorreu, de acordo com critérios de ampliação do acesso à justiça e de maior efetividade investigativa. O Ministério Público considerou que o deslocamento até a sede da instituição poderia dificultar a participação dos familiares nas oitivas.

 

Laura Minc, assistente do Gaesp, enfatizou que essa medida busca ampliar a adesão dos familiares, especialmente de quem não pôde comparecer ao Ministério Público anteriormente, seja por incompatibilidade de agendas ou por outros obstáculos de acesso.

 

O ouvidor do MPRJ, David Faria, destacou o papel da ouvidoria no processo: "A Ouvidoria é a porta de entrada do cidadão que busca o MPRJ. Viemos aqui auxiliar o Gaesp na escuta ativa de familiares, reforçando o papel institucional de aproximação da população com o MPRJ e de proteção dos direitos humanos", afirmou.

 

No contexto da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 635, o Supremo Tribunal Federal determinou que o Ministério Público atue de maneira ampla para apurar fatos relacionados a operações policiais que resultem em mortes. As ações do órgão estão alinhadas a essa determinação.

 

Desdobramentos da investigação e ações do Ministério Público

 

Após o início da investigação independente conduzida pelo Gaesp, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro adotou diversas providências em relação à Operação Contenção. Entre as medidas iniciais, foi instaurado um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) autônomo. O plantão de operações passou a monitorar os desdobramentos em tempo real e os protocolos previstos na ADPF 635 foram acionados.

 

“Na fase inicial, foram requisitados dados e documentos à Secretaria de Polícia Militar e à Secretaria de Polícia Civil, ouvidos agentes públicos responsáveis pelo planejamento e que exerceram funções decisórias no dia dos fatos, e realizadas perícias próprias e complementares no Instituto Médico Legal”.


 

O Gaesp, em conjunto com a Divisão de Evidências Digitais e Tecnologia da Coordenadoria de Inteligência da Investigação (Dedit), elaborou laudos referentes às vítimas da operação. Além disso, a equipe analisa mais de 3.600 horas de imagens das câmeras corporais utilizadas por policiais militares durante a ação.

 

No âmbito de prevenção e controle externo, o Gaesp/MPRJ recomendou, em dezembro de 2025, que os secretários de Segurança Pública, Polícia Civil e Polícia Militar implementassem um protocolo conjunto para operações policiais, com medidas para reduzir riscos, mitigar danos e conter a letalidade.

 

Já em março de 2026, o órgão encaminhou nova recomendação às mesmas autoridades, desta vez com orientações para aprimorar o planejamento, execução e monitoramento do uso das câmeras operacionais portáteis, com o objetivo de aumentar a eficácia desse recurso tecnológico nas operações.

 

Denúncias apresentadas e responsabilização de agentes

 

Até o momento, o Gaesp e as promotorias de justiça junto à Auditoria da Justiça Militar apresentaram oito denúncias contra um total de 27 policiais militares. As acusações referem-se a ilegalidades cometidas durante a Operação Contenção, tais como apropriação de armamento, furto de peças de veículos, invasão de domicílios, constrangimento a moradores, subtração de bens e tentativas de obstrução ou desligamento das câmeras corporais.

 

Essas ações fazem parte do conjunto de iniciativas para garantir o esclarecimento dos fatos, a responsabilização de eventuais envolvidos em atos ilícitos durante a operação e a proteção dos direitos das vítimas e de seus familiares.

 

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